Ganhar dinheiro com cartões de crédito transformou-se em um negócio paralelo para um contingente crescente de consumidores nos Estados Unidos, que tiram proveito de bônus de adesão e programas de recompensas oferecidos pelas emissoras.
O analista de sistemas Alex Palm, por exemplo, admite sentir um pico de adrenalina sempre que clica em “enviar” para solicitar mais um cartão. Ele calcula que, em sete anos, ele e a esposa já acumularam mais de 50 plásticos, cada um com benefícios de inscrição considerados modestos individualmente, mas lucrativos quando somados.
Ganhar dinheiro com cartões de crédito atrai americanos
Essa estratégia, conhecida como “churning”, exige disciplina rigorosa. “Se você tiver qualquer insegurança em relação às suas finanças, não faça isso”, adverte Palm. Um passo em falso — como atrasar o pagamento de uma fatura — pode comprometer a pontuação de crédito do consumidor e anular ganhos obtidos com milhas, cashback ou pontos.
Pontuação elevada é a chave do sucesso
Curiosamente, os adeptos do churning costumam apresentar pontuação de crédito classificada como “superprime”. A explicação está na baixa utilização de crédito: mesmo com muitos cartões ativos, esses usuários gastam apenas uma fração do limite total disponível, o que reduz o índice de utilização e melhora a nota junto às agências de crédito.
Como as emissoras lucram — e por que continuam oferecendo bônus
Segundo Roger Hochschild, ex-CEO da Discover Financial Services, as empresas de cartão enfrentam um problema de “seleção adversa”: precisam chamar atenção de clientes comuns sem incentivar exclusivamente quem só quer bônus. As emissoras obtêm receita principalmente de duas fontes: juros cobrados sobre saldos não pagos e a taxa que recebem toda vez que o cartão é utilizado em uma compra. Quanto mais pessoas passarem o cartão, maior o faturamento.
Para atrair novos usuários, bancos e fintechs lançam regularmente campanhas de pontos extras, reembolso em categorias específicas e isenção temporária de anuidade. Mesmo sabendo que parte dos clientes irá explorar ao máximo essas promoções, as instituições avaliam que o volume de transações gerado — e o risco de parte dos clientes carregarem saldo — compensa o custo dos bônus.
Brechas estimulam caça aos bônus
Consumidores como Palm estudam os regulamentos de cada programa para identificar requisitos mínimos de gasto ou datas-limite para liberar recompensas. Ao cumprir estritamente essas metas e quitar a fatura integralmente, transformam milhas e pontos em passagens aéreas, estadias em hotéis ou até dinheiro de volta.
Imagem: David Wignall
A tática, no entanto, envolve riscos. Abrir várias linhas de crédito em curto espaço de tempo pode reduzir temporariamente a pontuação. Além disso, se o usuário perder o controle das datas de pagamento, os juros elevados — em média superiores a 20% ao ano nos EUA — podem anular qualquer benefício.
Dicas para quem pensa em aderir ao churning
- Mantenha planilhas ou aplicativos para controlar datas de vencimento, limites e metas de gasto.
- Pague sempre 100% da fatura para evitar juros.
- Avalie o impacto de cada nova solicitação na sua pontuação de crédito.
- Leia atentamente as regras de elegibilidade para bônus de inscrição.
Enquanto emissores e órgãos reguladores discutem ajustes nas ofertas, o churning segue firme entre consumidores bem planejados, que veem nos sign-up bonuses uma forma legítima de gerar renda complementar — desde que mantenham as finanças em dia.
Para aprofundar estratégias de escolha do plástico ideal, leia nosso guia completo em Cartão de Crédito.
Em resumo, ganhar dinheiro com cartões de crédito pode ser rentável, mas requer controle financeiro absoluto. Se você pretende seguir esse caminho, planeje-se, acompanhe suas despesas e aproveite os bônus de forma consciente.



