Bank of America prevê forte queda de juros no Brasil em 2026 e, por isso, elevou sua recomendação para ações brasileiras em seu mais recente relatório de estratégia para a América Latina. O documento, divulgado nesta quinta-feira (13/01/2026), classifica o país como “overweight”, sinalizando posicionamento acima da média nos portfólios globais.
De acordo com a instituição, o início de um ciclo “profundo” de corte da taxa básica a partir do primeiro trimestre de 2026 deve impulsionar consumo, crédito e investimentos, colocando o mercado acionário local entre os mais atraentes do universo emergente.
Bank of America prevê forte queda de juros no Brasil em 2026
No relatório, o banco compara oportunidades em vários países da região. O Brasil passou de “marketweight” para “overweight”, enquanto Argentina manteve a mesma classificação positiva devido às reformas estruturais pós-eleições de meio de mandato. México permaneceu “marketweight”; Chile e Colômbia foram removidos da carteira, e Peru recebeu avaliação “underweight”.
Para o Bank of America, a correlação historicamente elevada entre redução dos juros e desempenho das ações domésticas sustenta a mudança de postura. Após um 2025 marcado por cautela diante de poucos catalisadores internos, 2026 surge como “ano de virada”, segundo os estrategistas.
Setores e empresas em foco no portfólio recomendado
O banco lista empresas brasileiras com maior peso na carteira sugerida, destacando nomes ligados a serviços financeiros, consumo interno e infraestrutura. Entre elas estão Itaú Unibanco (6,0%), Vale (6,5%), Petrobras PN (6,5%) e Bradesco (3,0%). Companhias de saúde, educação e utilities também ganham espaço, refletindo a expectativa de crescimento do poder de compra e de um ambiente de crédito mais favorável.
Confira alguns setores que, segundo a tese do banco, devem se beneficiar diretamente do ciclo de afrouxamento monetário:
- Bancos e financeiras: queda do custo do dinheiro tende a expandir margens e demanda por crédito.
- Consumo discricionário: melhora na renda disponível estimula vendas de varejo, educação e serviços.
- Utilities e infraestrutura: fluxo de caixa previsível, com potencial reprecificação em taxas mais baixas.
Riscos monitorados pelo Bank of America
Apesar da visão construtiva, o relatório aponta riscos de curto prazo que podem afetar o panorama:
- Possível fortalecimento do índice dólar (DXY).
- Ajustes nas expectativas de corte de juros pelo Federal Reserve.
- Calendário eleitoral em países latino-americanos, que pode elevar a volatilidade.
Mesmo assim, os analistas enfatizam que o Brasil apresenta uma das mais altas sensibilidades positivas ao recuo da taxa Selic. Esse fator, combinado à presença de empresas com forte geração de caixa – apelidadas internamente de “Magnificent Seven do Brasil” –, reforça a tese de valorização do mercado local.
Composição regional do portfólio
Além dos ativos brasileiros, a carteira recomendada inclui papéis argentinos, mexicanos e peruanos. No entanto, o peso relativo para o Brasil subiu consideravelmente, refletindo a confiança do banco nos catalisadores domésticos. A alocação detalhada distribui 51,0% dos recursos em empresas brasileiras, 22,5% no México, 10,0% na Argentina e 4,0% no Peru; o restante permanece em caixa.
Imagem: Divulgação
Os estrategistas lembram que a decisão de aumentar a exposição no Brasil não se limita ao momento pós-Selic. A narrativa inclui:
- Empresas de crescimento já consolidadas, com modelos de negócio escaláveis.
- Valuation atrativo em comparação a pares emergentes.
- Potencial reabertura de ciclo de IPOs caso a taxa de juros recue conforme previsto.
O que esperar do mercado brasileiro em 2026
Se o cenário de corte profundo da Selic se concretizar, a projeção do Bank of America é que o Ibovespa apresente um dos melhores desempenhos globais. Isso porque companhias focadas no mercado interno, especialmente financeiras e varejistas, tendem a acelerar receitas e lucros com a redução do custo do capital.
Para investidores locais, a elevação do Brasil a “overweight” por um dos maiores bancos de investimento do mundo atua como sinal de confiança na trajetória macroeconômica. Já para estrangeiros, o recado é claro: o país volta ao radar logo no início do próximo ciclo de afrouxamento monetário.
Na prática, a recomendação pode estimular fluxos de capital externo tanto na renda variável quanto na renda fixa, intensificando a liquidez e favorecendo o preço dos ativos domésticos. O Bank of America conclui que, em meio a um ambiente global de queda dos juros, “o Brasil retoma protagonismo entre os emergentes”.
Investidores que desejam acompanhar a evolução dessa tese devem monitorar as decisões do Comitê de Política Monetária do Banco Central, os dados de inflação e a velocidade de transmissão do crédito ao consumo ao longo de 2026.
Para aprofundar seu acompanhamento, confira outras análises de cenário na seção de Economia do Diário de Finanças.
Resumo: o Bank of America revisou sua estratégia para América Latina e colocou o Brasil na liderança de recomendação, apostando em forte corte da Selic em 2026. Setores vinculados ao mercado interno e ao crédito são vistos como principais beneficiários. Acompanhe nossos conteúdos e esteja preparado para o próximo movimento do mercado.



