Juros do cartão de crédito sobem a 438% e elevam risco ao orçamento das famílias brasileiras. Em dezembro de 2025, a taxa média do rotativo chegou ao maior patamar já registrado pelo Banco Central, enquanto a inadimplência nessa modalidade avançou para 64,7%.
Apesar de o desemprego ter encerrado 2025 em 5,6% – a menor marca desde 2012 – e a renda média real ter crescido 5,7%, alcançando R$ 3.560, o endividamento das famílias aumentou em ritmo mais acelerado, revelando um descompasso entre ganhos salariais e custos financeiros.
Juros do cartão de crédito sobem a 438% e elevam risco
Endividamento avança mesmo com maior renda
O Banco Central atribui parte da escalada dos juros do cartão de crédito à ampliação dos limites. Clientes que antes dispunham de R$ 2 mil passaram a contar com até R$ 5 mil, transformando o cartão em uma espécie de extensão da renda mensal. Quando a fatura não é quitada integralmente, o consumidor recorre ao crédito rotativo, onde a taxa de 438% ao ano faz uma dívida de R$ 1.000 saltar para aproximadamente R$ 5.530 em 12 meses.
Comparação com outras linhas de crédito
Mesmo diante de alternativas menos onerosas, o rotativo permanece campeão de custos. O parcelado no cartão fechou 2025 em 189% ao ano e o cheque especial, em 138,6%. Ainda assim, ambos ficam bem abaixo dos juros do cartão de crédito, que se mantêm no topo do ranking do Banco Central e seguem como principal fonte de pressões sobre o orçamento doméstico.
Retração econômica pode agravar cenário
O Indicador de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) apontou expansão de 2,4% nos 12 meses até novembro, mas o Boletim Focus projeta crescimento de apenas 1,8% para 2026. Caso a economia desacelere, o alívio esperado pela queda da inflação – que terminou 2025 em 4,26% – pode não ser suficiente para conter a inadimplência já elevada.
Mercado de trabalho mascara vulnerabilidades
Pela metodologia do IBGE, basta trabalhar uma hora na semana de referência para ser considerado ocupado. Essa definição pode esconder vínculos precários e rendas irregulares, fatores que estimulam o uso do cartão de crédito como complemento salarial. Quando a renda flutua e os juros do cartão de crédito permanecem em níveis recordes, a capacidade de pagamento se deteriora rapidamente.
Imagem: Canva
Perspectivas para 2026
Análises de economistas ouvidos pelo Banco Central apontam que a evolução das taxas ao longo de 2026 será decisiva. Caso o custo do rotativo recue, há chance de um ajuste gradual da inadimplência. Se permanecer elevado, o país pode enfrentar novo ciclo de pressão sobre consumo, crédito e estabilidade financeira.
Enquanto a definição sobre o rumo dos juros do cartão de crédito não acontece, especialistas recomendam evitar o rotativo, renegociar dívidas e buscar opções de crédito com custos menores.
Para aprofundar o tema e conferir dicas de organização financeira, visite nosso guia em cartão de crédito.
Em resumo, a disparada dos juros do cartão de crédito a 438% ao ano evidencia uma fragilidade estrutural: renda crescente, mas insuficiente para compensar o custo explosivo das dívidas. Acompanhe nossas atualizações e descubra estratégias para manter seu orçamento saudável.



