Leilão do Tesouro eleva juros longos e inclina curva ao colocar mais títulos prefixados de prazos estendidos no mercado nesta quinta-feira (19). A oferta robusta fez as taxas futuras subirem, sobretudo nos vértices mais longos, reforçando o movimento de inclinação que já se desenhava desde a abertura dos negócios.
Investidores reagiram à combinação de um leilão concentrado em papéis com vencimento a partir de 2030 e à surpresa altista do IBC-Br de dezembro, o que levou as cotações aos níveis máximos no fim da manhã.
Leilão do Tesouro eleva juros longos e inclina curva
Por volta das 13h15, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 marcava 13,31%, acima dos 13,295% do ajuste anterior. O DI para janeiro de 2028 avançava de 12,585% para 12,62%, enquanto o de janeiro de 2029 subia de 12,63% para 12,68%. No extremo mais longo da curva, o DI para janeiro de 2031 ganhava fôlego e saía de 13,04% para 13,115%.
Oferta robusta impulsiona prêmio de risco
O Tesouro Nacional ofertou 23 milhões de títulos prefixados, dos quais 18 milhões tinham vencimento a partir de 2030. Segundo participantes, esse volume “razoável, mas grande” adicionou prêmio às taxas por elevar o risco medido pelo DV01, métrica que captura a sensibilidade do preço dos papéis a variações na curva.
Pouco antes do leilão, as taxas até mostravam certa estabilização, porém a tendência se reverteu durante a colocação e permaneceu depois do resultado. Gestores observam que o mercado costuma exigir retorno maior quando há aumento de oferta em prazos longos, pois cresce a incerteza sobre trajetória fiscal e inflação no horizonte ampliado.
IBC-Br surpreende, mas reforça cenário de desaceleração
Mais cedo, o Banco Central divulgou que o IBC-Br recuou 0,18% em dezembro, ante expectativa de baixa de 0,5%. Na comparação anual, houve alta de 2,45%, também acima do consenso de 2,4%. Economistas do Santander, entre eles Gabriel Couto e Rodolfo Pavan, avaliaram que o dado veio “acima das projeções, mas neutro” para o cenário, pois a maioria dos componentes apontou fraqueza da atividade, em linha com a perspectiva de cortes na Selic a partir de março.
Para analistas, a leitura reafirma que, embora o crescimento perca ritmo por causa do aperto monetário, a resiliência do mercado de trabalho impede uma desaceleração mais brusca. Mesmo assim, o avanço inesperado do indicador contribuiu para a cautela dos investidores e somou-se ao impacto do leilão na pressão sobre os DIs.
Imagem: Unsplash
Inclinação da curva reflete cautela fiscal e monetária
A inclinação da estrutura a termo, observada com as maiores altas nas pontas mais longas, resume a percepção de risco embutida nos preços. Enquanto prazos curtos seguem ancorados pelas apostas de afrouxamento gradual da Selic, vértices longos capturam receios sobre o equilíbrio fiscal e a trajetória de inflação adiante.
Com a liquidez direcionada ao lote de prefixados e os próximos indicadores ainda no radar, agentes de mercado avaliam que a volatilidade pode se manter elevada até que haja clareza maior sobre o ritmo de corte de juros e sobre futuras ofertas do Tesouro.
Em resumo, o leilão do Tesouro ampliou o prêmio de risco dos papéis de longo prazo, inclinou a curva e reforçou a atenção dos investidores a cada dado de atividade econômica.
Para seguir acompanhando o impacto de eventos como esse sobre a economia, confira também nossa cobertura completa na seção de Economia.
Acompanhe o Diário de Finanças para receber atualizações em tempo real e entenda como mudanças nos leilões do Tesouro podem afetar seus investimentos.



