Azul e GOL rompem acordo de reacomodação que permitia o transporte de passageiros de uma companhia pela outra em casos de cancelamento ou atraso de voo. A decisão, oficializada nesta semana de fevereiro de 2026, entra em vigor já em 23 de fevereiro, data a partir da qual as empresas deixam de aceitar clientes da concorrente nessas situações.
Até então, o Flight Interruption Manifest (FIM) garantia que um passageiro impactado por problemas operacionais poderia ser realocado no próximo voo disponível da parceira, acelerando sua chegada ao destino. Com o término do pacto, cada transportadora passa a depender exclusivamente da própria malha aérea para atender passageiros afetados.
Azul e GOL rompem acordo de reacomodação entre voos
A ruptura ocorre após o fim das negociações de fusão entre Azul e GOL e reflete também pressões do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) para evitar concentração de mercado. Além disso, a Azul concluiu recentemente seu processo de reestruturação financeira (Chapter 11) e prioriza, agora, o fortalecimento interno de suas rotas.
O que muda para o passageiro
1. Reacomodação limitada:
• Quem tiver bilhete pela Azul será alocado somente em voos da Azul.
• Quem viajar pela GOL ficará restrito a voos da própria GOL.
2. Mais atenção ao planejamento: recomenda-se optar por aeroportos-hub das companhias – Viracopos, Confins e Recife no caso da Azul; Guarulhos, Brasília e Galeão para a GOL – pois concentram maior oferta de frequências e reduzem o tempo de espera em eventual remarcação.
Direitos mantidos pela legislação
A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) não alterou as regras. Em casos de cancelamento ou atraso superior a quatro horas, a companhia aérea continua obrigada a oferecer, sem custo adicional ao cliente:
• Reacomodação em voo próprio ou de terceiros na primeira oportunidade disponível;
• Reembolso integral do valor pago;
• Execução do serviço por outro meio de transporte.
Sem o acordo automático, é possível que a empresa tente restringir a reacomodação à sua própria malha. O passageiro, contudo, pode exigir o embarque por outra companhia, como Latam, caso haja assento disponível, amparado pelos artigos 230 e 231 da Resolução 400/2016 da ANAC.
Imagem: Divulgação
Impactos financeiros e operacionais
Especialistas avaliam que o fim do FIM pode elevar custos operacionais das companhias, pois cada uma precisará manter contingência interna robusta para imprevistos. Para o consumidor, a principal consequência será o possível aumento no tempo de espera até a próxima saída disponível.
Corretoras de seguro viagem já registram maior procura por apólices que cobrem hospedagem e alimentação em atrasos prolongados. Cartões de crédito com benefícios travel, que reembolsam despesas emergenciais, passam a ganhar relevância para mitigar contratempos.
Dicas práticas ao viajante
• Acompanhe o status do voo pelo aplicativo da companhia e habilite alertas em tempo real.
• Caso haja cancelamento, procure imediatamente o balcão de atendimento e cite a Resolução 400 para solicitar realocação rápida.
• Guarde comprovantes de gastos extras (transporte, alimentação, hotel) para eventual reembolso.
• Considere rotas com múltiplas frequências diárias para aumentar opções de remarcação.
Passageiros com bilhetes para esta semana devem conferir possíveis alterações de horário, pois as malhas estão sendo ajustadas após o término do acordo.
Para entender outros reflexos econômicos no setor aéreo, acesse nossa seção de Economia.
O rompimento do acordo de reacomodação marca nova fase para Azul e GOL e exige que o passageiro redobre atenção a seus direitos. Mantenha-se informado, planeje conexões com cuidado e, se necessário, exija a solução mais rápida prevista em lei.



