Bitcoin despenca em 2026 após perder 24% desde janeiro, tocando o menor patamar em 15 meses e reforçando a sensibilidade das criptomoedas a juros elevados e decisões de política monetária.
A principal moeda digital passou a ser negociada em torno de US$ 70 mil (cerca de R$ 342 mil) depois de ter atingido um recorde histórico de US$ 122 mil em outubro de 2025, movimento que agora se reverte diante do aperto monetário nos Estados Unidos.
Bitcoin despenca em 2026: juros altos agravam correção
O gatilho mais recente para a liquidação, segundo relatório do Deutsche Bank, foi a escolha de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve. O mercado interpreta que o economista deverá manter juros elevados por mais tempo, reduzindo a liquidez e a atratividade de ativos considerados de maior risco, como criptomoedas.
A leitura contrasta com as expectativas criadas desde a posse de Donald Trump, em janeiro de 2025. Nos primeiros meses do mandato, o presidente norte-americano assinou ordem executiva para posicionar o país como centro global de criptoativos, sancionou lei de respaldo federal às moedas digitais e reduziu a atuação fiscalizatória da SEC. Ainda assim, nem o discurso pró-cripto foi suficiente para conter a pressão vendedora provocada pelo cenário macroeconômico.
Além do bitcoin, o mercado cripto como um todo entrou em fase de ajuste. Ethereum e Solana acumulam desvalorizações próximas de 37% em 2026, enquanto o valor total dos criptoativos encolheu mais de US$ 1 trilhão apenas no último mês, de acordo com a CoinGecko. Desde o pico de outubro, a perda supera US$ 2 trilhões.
Analistas veem mudança de perfil do investidor
Para o Deutsche Bank, a queda prolongada sugere que participantes tradicionais têm reduzido exposição, indicando menor apetite especulativo. O bitcoin estaria migrando de um papel puramente especulativo para buscar espaço mais definido no sistema financeiro, o que implica avaliar fundamentos e não apenas narrativas de curto prazo.
William Barhydt, CEO da Abra Capital Management, reconhece o amadurecimento do setor, mas mantém visão otimista no horizonte de médio e longo prazo. Ele lembra que oscilações acentuadas fazem parte da história da criptomoeda e não significam necessariamente o fim de um ciclo. No entanto, pondera que choques geopolíticos extremos poderiam alterar esse cenário rapidamente.
Projeções e impacto cambial
A Stifel, empresa de research norte-americana, projeta que o preço do bitcoin pode recuar até a faixa de US$ 38 mil, refletindo correlação mais forte entre o ativo e o comportamento do dólar. A moeda norte-americana, por sua vez, chegou recentemente ao menor valor em quatro anos, adicionando outra camada de incerteza ao cálculo de risco.
Enquanto isso, parlamentares democratas questionam possíveis conflitos de interesse de Trump, apontando participações em projetos de criptomoedas avaliadas em mais de US$ 11 bilhões e ganhos pessoais estimados em US$ 800 milhões. A polêmica, contudo, não alterou a percepção de que o fator decisivo para a atual correção é a política monetária.
Imagem: Divulgação
Juros como peça-chave
Historicamente, criptomoedas tendem a se beneficiar de ambientes de liquidez abundante e taxas reduzidas. Em 2026, a possibilidade de juros altos por período prolongado redefiniu expectativas e elevou o custo de oportunidade de manter ativos sem rendimento fixo.
Com isso, investidores revisitarem estratégias, migrando parte dos recursos para instrumentos de renda fixa em dólar que passaram a oferecer retornos mais atraentes frente ao risco cripto. A combinação de menor fluxo de entrada e realização de lucros acentuou a pressão vendedora.
Perspectivas
Instituições financeiras avaliam que a trajetória do bitcoin dependerá principalmente da direção dos juros e da percepção de risco global. Caso o Federal Reserve sinalize eventual flexibilização — ainda ausente no horizonte imediato — o mercado poderia retomar fôlego. Até lá, a recomendação de analistas é cautela e monitoramento próximo das mudanças macroeconômicas.
Em síntese, a queda para o patamar dos US$ 70 mil ilustra o momento de transição do bitcoin: menos euforia, mais fundamentos. Para quem investe, entender o impacto de juros, política monetária e liquidez torna-se indispensável.
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Fique atento às próximas atualizações e avalie seu perfil de risco antes de qualquer decisão de investimento.



