BTG Pactual divulgou um relatório que projeta quais segmentos da economia brasileira devem impulsionar o crescimento de lucros corporativos em 2026, mesmo diante de um cenário macroeconômico moderado.
O time de Research do banco identificou três forças determinantes para o avanço dos resultados: a esperada queda da taxa Selic, a retomada gradual do crédito e a recuperação de setores pressionados ao longo de 2025. Bancos, varejo e determinadas áreas de commodities lideram as revisões positivas.
BTG Pactual aponta setores que devem liderar lucros em 2026
Segundo o documento, a expansão dos ganhos não será homogênea. A instituição ressalta que monitorar relatórios setoriais e balanços passa a ser fundamental para investidores que desejam capturar a tendência de valorização dos setores mais favorecidos.
Principais destaques do estudo
O levantamento do broker considera premissas macroeconômicas conservadoras para 2026, mas ainda assim mapeia um incremento expressivo nos resultados das companhias listadas. Abaixo, os segmentos com maior potencial, de acordo com o BTG Pactual:
- Bancos: expansão prevista de R$ 15,8 bilhões (+14% versus 2025).
- Varejo: aumento conjunto de R$ 3,4 bilhões (+34%).
- Saúde, Telecom, Habitação, Bens de capital, Aluguel de veículos, Logística, Utilities, Seguros de vida e Serviços financeiros (exceto bancos): participações menores, mas todas com avanço positivo.
Setor bancário: protagonista do lucro
Os bancos despontam como maiores beneficiários da redução de juros e da normalização da carteira rural. Com a Selic projetada em níveis inferiores aos de 2025, o relatório estima alívio no custo de captação, incremento da demanda por crédito e melhora nos índices de inadimplência, fatores que elevam o resultado financeiro das instituições.
Ao todo, o ganho adicional de R$ 15,8 bilhões corresponde ao maior salto absoluto entre todos os grupos analisados, reforçando o caráter defensivo e, ao mesmo tempo, lucrativo do setor em ciclos de corte de juros.
Varejo: recuperação ganha fôlego
No varejo, a análise do BTG Pactual indica que todas as empresas sob cobertura devem crescer em 2026. A principal alavanca é a queda das despesas financeiras, hoje pressionadas pelo elevado patamar da Selic. Entre os destaques:
- Natura: responsável por cerca de 33% do ganho setorial projetado.
- Raia Drogasil: deve responder por aproximadamente 14% da expansão.
- Assaí: com dívida majoritariamente atrelada à Selic, tende a ver forte redução de juros pagos, o que melhora margens e resultados.
Outros segmentos em evidência
Além de bancos e varejo, o documento menciona efeitos positivos da política monetária em áreas como saúde, telecomunicações e habitação. Empresas de bens de capital podem se beneficiar do aumento de investimentos, enquanto locadoras de veículos e companhias de logística devem sentir impacto direto na estrutura de custos financeiros.

Imagem: Divulgação
Por que a Selic é decisiva?
O ciclo de queda da taxa básica de juros reduz o custo de capital, viabiliza novos projetos, estimula consumo e, consequentemente, melhora resultados operacionais. No caso de companhias endividadas, a despesa financeira menor se traduz quase imediatamente em expansão do lucro líquido.
Riscos e recomendações
Embora otimista, o banco ressalta que cada investidor deve avaliar perfil de risco, horizonte de investimento e diversificação antes de tomar decisões. As projeções partem de premissas que podem mudar caso haja surpresas inflacionárias, choques externos ou alterações na política fiscal brasileira.
O que esperar de 2026
Com base nos dados do BTG Pactual, o próximo ano tende a marcar retomada importante na lucratividade corporativa, liderada por bancos e varejistas, seguidos de setores diretamente beneficiados pela diminuição dos custos de financiamento. A leitura é de que o crescimento será seletivo, valorizando análises setoriais detalhadas.
Investidores atentos ao movimento de corte da Selic e à resiliência dos segmentos destacados podem encontrar oportunidades relevantes, desde que embasem decisões em relatórios profissionais e mantenham disciplina de alocação.
Para mais conteúdos sobre panorama macroeconômico e performance de companhias brasileiras, acesse a seção de Economia do Diário de Finanças e acompanhe atualizações diárias sobre mercado, juros e indicadores.
Em síntese, o estudo do BTG Pactual reforça que 2026 deve coroar a recuperação dos lucros no Brasil, com bancos à frente e varejo em franca aceleração. Continue acompanhando nossas análises e receba alertas em tempo real para navegar pelas tendências do mercado financeiro.



