Cartão de crédito segue como o maior vilão das finanças domésticas brasileiras, concentrando 85,1% das dívidas das famílias, de acordo com pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC).
O levantamento indica que o uso do plástico, aliado a uma das taxas de juros mais altas do mercado, tem elevado o risco de inadimplência e comprometido a renda mensal de milhões de lares. Compras rotineiras, viagens e despesas do dia a dia foram as principais fontes de gastos que escaparam do controle.
Cartão de crédito responde por 85% das dívidas das famílias
Segundo a CNC, o índice de inadimplência atingiu 29,4% dos entrevistados na comparação anual. O carnê ficou em segundo lugar como gerador de dívidas, com 16,2%. Já o nível geral de endividamento alcançou 78,9% em dezembro de 2025, o maior percentual já registrado para o mês, representando alta de 2,3 pontos percentuais em relação a dezembro de 2024.
Dados da pesquisa
A pesquisa da CNC ouviu consumidores de todas as regiões do país e aponta que:
- 85,1% das famílias endividadas têm pendências no cartão de crédito;
- 29,4% estão inadimplentes, isto é, com contas em atraso;
- 16,2% citaram carnês como segunda maior fonte de endividamento;
- 78,9% das famílias terminaram 2025 endividadas, apesar de leve recuo entre novembro e dezembro.
Por que o cartão pesa tanto?
Especialistas explicam que a modalidade reúne praticidade e cobrança de juros superiores à média. “A gente só percebe o gasto quando a fatura chega”, observou a educadora financeira Cíntia Senna. Esse atraso na percepção do desembolso favorece compras sem planejamento e a rolagem do débito, conhecida como rotativo.
O economista-chefe da CNC, Fábio Bentes, acrescentou que a elevada Selic torna o Brasil o país com a segunda maior taxa básica de juros do mundo, cenário que pressiona ainda mais o custo do crédito e dificulta a quitação dos saldos.
Retrato do endividamento nas férias
Com a chegada do período de férias, muitas famílias direcionam parte do 13º salário ou da reserva para pagar parcelas atrasadas. É o caso da cobradora de ônibus Laís de Matos, que somou aproximadamente R$ 3.300 em débitos distribuídos em três cartões. “Foi descontrole: comida, sair, beber”, relatou.
Apesar do aperto, Laís afirma ter aprendido a lição. “O cartão de crédito é bom; ruim é a dívida”, disse, exemplificando o dilema enfrentado por milhares de brasileiros que veem no meio de pagamento tanto uma facilidade quanto uma armadilha.
Imagem: Divulgação
Recomendações de especialistas
Para evitar que a dívida cresça, economistas e educadores financeiros sugerem algumas práticas:
- Planejar o orçamento mensal e registrar todos os gastos;
- Priorizar o pagamento integral da fatura para escapar do rotativo;
- Negociar taxas e limites junto ao banco, evitando crédito além da capacidade de pagamento;
- Usar o cartão apenas para compras necessárias e parcelamentos sem juros.
O estudo da CNC também mostrou que houve uma leve redução no endividamento entre novembro e dezembro de 2025, sinalizando possível ajuste de consumo. Contudo, a entidade ressalta que o cenário só tende a melhorar de forma mais consistente com o recuo da taxa básica de juros.
Para quem já enfrenta atrasos, a orientação é procurar renegociação diretamente com o emissor do cartão ou participar de feirões de negociação de dívidas, que costumam oferecer descontos significativos nos juros acumulados.
A tendência para 2026 dependerá do comportamento das taxas de juros e do nível de renda das famílias, fatores determinantes para frear a escalada das dívidas no cartão de crédito.
Para saber como escolher melhor o limite do seu cartão de crédito e evitar o endividamento, acompanhe nossos conteúdos exclusivos. Controlar gastos, pagar a fatura integral e planejar o orçamento são passos essenciais para manter as finanças saudáveis.
Resumo: o cartão de crédito lidera as dívidas das famílias, impulsionado pelos juros altos e pelo consumo pouco planejado. Fique de olho nos gastos e siga nossas dicas para manter suas contas em dia!



