Crédito privado sob pressão após casos Ambipar e SVB -

Crédito privado sob pressão após casos Ambipar e SVB

Crédito privado volta ao centro das atenções depois que uma sucessão de colapsos corporativos expôs fragilidades na estrutura de capital de companhias no Brasil e no exterior.

Da Eastman Kodak ao banco regional norte-americano SVB, bilhões de dólares se perderam em falhas de governança, alavancagem excessiva e estratégias mal calibradas. O índice World Uncertainty IndexGlobal subiu 152% em 35 anos, sinalizando um ambiente cada vez mais volátil para emissores e investidores.

Crédito privado sob pressão após casos Ambipar e SVB

O episódio mais recente envolve a brasileira Ambipar. Considerada referência em gestão ambiental e forte candidata a símbolo do investidor ESG, a companhia entrou com pedido de recuperação judicial em outubro de 2025. A crise revelou um modelo de aquisições alavancadas sustentado por títulos de crédito privado, alguns utilizados como lastro para COEs distribuídos no varejo sem a devida diligência. O resultado foi uma nova onda de desconfiança que atingiu parte relevante do mercado.

Colapsos bilionários reforçam alerta de governança

Casos emblemáticos ajudam a dimensionar a magnitude das perdas:

  • Enron, WorldCom e Lehman Brothers: US$ 840 bilhões em prejuízos somados;
  • Lojas Americanas: R$ 8,3 bilhões evaporados em um único dia e mais de 160 mil empregos eliminados;
  • SVB: suspensão de linhas de crédito a startups e necessidade de intervenção regulatória.

Nesses episódios, a emissão de dívida — normalmente vista como disciplinadora — tornou-se combustível para expansões pouco sustentáveis, contrariando a Teoria do Trade-Off de Estrutura de Capital, que defende equilíbrio entre benefício fiscal do endividamento e risco de falência.

Mercado dos EUA dividido sobre riscos sistêmicos

Em Wall Street, analistas divergem. Enquanto alguns alertam para a possibilidade de efeito dominó, outros confiam na resiliência do private credit, que já movimenta trilhões de dólares em busca de retorno maior em ambientes de baixa liquidez. Contudo, a sofisticação de produtos superou o entendimento de risco, sobretudo entre investidores não institucionais.

Alavancagem versus sustentabilidade no Brasil

Na edição 271 da Revista RI, de 2023, economistas já apontavam a incompatibilidade entre alavancagem agressiva e sustentabilidade corporativa. A elevação de pedidos de recuperação judicial sugere limites do shareholder capitalism, focado apenas no retorno ao acionista. Pensadores como Steve Denning e Klaus Schwab defendem modelos que contemplem todas as partes interessadas, alinhados à economia do mutualismo de Edward Freeman.

Iniciativas de mitigação de risco

Algumas instituições reagem com ajustes de rota:

  • Blackstone: intensifica programas de educação financeira para investidores institucionais e de varejo;
  • BNP Paribas: inclui métricas ESG e impacto social na concessão de crédito;
  • No Brasil: Capitalismo Consciente e Instituto Ethos fomentam debates sobre geração de valor compartilhado.

Esses movimentos indicam busca por maior transparência e integração de critérios ambientais, sociais e de governança nos processos de financiamento e investimento.

O futuro do crédito privado em um cenário de transição

Os sucessivos colapsos não invalidam o uso do crédito privado como fonte de capital ou alternativa de investimento. Porém, reforçam a necessidade de amadurecimento do mercado, melhores práticas de avaliação de risco e fiscalização rigorosa de emissores, distribuidores e reguladores. A questão que permanece é se o setor financiará um futuro sustentável ou continuará empacotando riscos “com veludo e seda”, nas palavras do economista Roberto Carline.

A trajetória recente confirma que governança robusta, transparência e educação financeira são pilares para restabelecer a confiança dos investidores e evitar novas rupturas.

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Em resumo, a escalada de incerteza global e as quebras recentes mostram que o crédito privado permanece essencial, mas precisar se reinventar. Acompanhe nossas atualizações e saiba como proteger seus investimentos.

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