Ibovespa fecha estável após máximas históricas e queda da Vale. O principal índice da B3 encerrou o pregão desta segunda-feira, 26 de janeiro de 2026, praticamente no zero a zero, em leve baixa de 0,08%, aos 178.721 pontos, após ter disparado mais de 14 mil pontos na semana anterior.
Sem o suporte da Vale, cujos papéis recuaram 2,29%, o mercado doméstico alternou ganhos e perdas ao longo do dia, oscilando entre 177.694 e 179.543 pontos, às vésperas da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.
Ibovespa fecha estável após máximas históricas e queda da Vale
A queda da mineradora ganhou força à tarde, quando a companhia confirmou um novo transbordamento de água em operação localizada em Congonhas (MG), um dia depois de ocorrência semelhante em Ouro Preto (MG). Segundo a empresa, não houve feridos nem impacto às comunidades, mas a Agência Nacional de Mineração (ANM) informou que monitora os casos e poderá aplicar sanções se constatar irregularidades.
Desempenho de blue chips e bancos
Na ponta oposta, as ações preferenciais da Petrobras avançaram 0,91%, impulsionadas pela alta do petróleo no exterior. Entre os bancos, destaque para as units do BTG Pactual, com ganho de 1,93%. As units do Santander destoaram e recuaram 0,62%.
Rali histórico e fluxo estrangeiro
O resultado morno desta sessão sucede um rali inédito: conforme dados do Valor Data, o Ibovespa nunca havia saltado mais de 14 mil pontos em uma única semana — recorde anterior era de 8.144 pontos, registrado em abril de 2020. O movimento recente foi alimentado pelo forte ingresso de capital internacional, motivado pelo chamado “sell America”, que levou investidores a reduzir exposição a ativos norte-americanos e a buscar alternativas em mercados emergentes.
Em janeiro, estrangeiros injetaram R$ 15,7 bilhões na bolsa brasileira, enquanto investidores institucionais locais retiraram R$ 8,8 bilhões, mostram números da B3. De acordo com Alexandre Póvoa, estrategista da Meta Asset Management, fundos de pensão e Regimes Próprios de Previdência Social mantêm apenas 9% do patrimônio em ações — patamar próximo ao piso histórico. A preferência por títulos públicos atrelados ao IPCA, que pagam acima de 7% ao ano, e pela Selic em 15%, tem limitado a migração de recursos domésticos para a renda variável.
Volumes e cenário externo
O giro financeiro do Ibovespa somou R$ 22,0 bilhões; na B3, o volume total chegou a R$ 31,1 bilhões. Em Wall Street, o clima foi positivo: Dow Jones subiu 0,64%, S&P 500 avançou 0,50% e Nasdaq ganhou 0,43%.
Imagem: Patricia Mteiro
Com o Copom em foco e a expectativa de manutenção da Selic, analistas avaliam que a tendência de curto prazo dependerá do comportamento das ações de peso — em especial de Vale e Petrobras — e do fluxo externo, que tem sido determinante para a sequência de recordes do índice.
Embora a sessão tenha mostrado cautela, a marca de 180 mil pontos atingida na última sexta-feira reforça o potencial de valorização da bolsa, sobretudo se os juros começarem a recuar e destravarem a participação dos investidores locais.
Para acompanhar outras análises sobre o impacto dos juros na renda variável, visite a seção de Economia do Diário de Finanças.
Em síntese, mesmo sem o apoio da Vale, o Ibovespa sustentou o patamar próximo às máximas históricas, à espera de definições do Banco Central. Continue acompanhando nossas atualizações e saiba como as decisões de política monetária podem influenciar seu portfólio.



