Itaú compra fatias de GPA, Casas Bahia e Assaí e assume o controle integral de operações financeiras que, há duas décadas, eram geridas em parceria com as varejistas. A recompra foi anunciada nesta segunda-feira (8) e sinaliza uma nova fase para o mercado de crédito ao consumo no Brasil.
O movimento encerra a joint venture criada em 2004 para operar a Financeira Itaú Consignado (FIC) e consolida a presença do maior banco privado do país no ecossistema varejista.
Itaú compra fatias de GPA, Casas Bahia e Assaí no crédito
Com valor de mercado estimado em R$ 441,7 bilhões, o Itaú negociou duas frentes específicas:
- FIC – aquisição das participações de GPA, Casas Bahia e Assaí.
- Investcred – compra da fatia detida pela Casas Bahia.
A transação prevê pagamentos distintos, conforme comunicado ao mercado:
- GPA: R$ 260,1 milhões, quitados à vista.
- Casas Bahia: R$ 266,1 milhões, referentes a FIC e Investcred, conforme cláusulas contratuais.
- Assaí: R$ 260 milhões, com liquidação em até dois anos.
O que muda para cada empresa
GPA passa a ter liberdade para buscar novos parceiros financeiros, explorando seus balcões em mais de 730 lojas e atendendo cerca de 20 milhões de clientes por mês, inclusive no e-commerce.
Assaí seguirá como acionista minoritário indireto da FIC até o segundo aniversário de conclusão do negócio. Durante esse período, a financeira manterá apenas os produtos existentes, principalmente o cartão cobranded. Depois, o atacadista poderá desenvolver soluções próprias ou firmar novos acordos.
Casas Bahia reforça seu plano de monetização de ativos com a venda integral das participações. A companhia estuda possíveis parcerias envolvendo o balcão do Pontofrio e segue em processo de reestruturação financeira.
Por que o Itaú avançou
Ao recuperar 100% da FIC e assumir a participação indireta na Investcred, o banco ganha escala e autonomia para:
Imagem: Divulgação
- Aumentar margens de lucro em produtos de crédito ao consumidor.
- Centralizar dados de clientes e decisões de risco.
- Aprimorar a oferta de serviços financeiros dentro do varejo.
Segundo analistas, a operação é estratégica porque devolve ao banco o controle completo sobre uma base relevante de cartões cobranded e linhas de financiamento que movimentam bilhões de reais por ano.
Próximos passos e prazos
O fechamento definitivo depende de ajustes de preço usuais em transações desse porte e da aprovação dos órgãos reguladores. Assim que concluída, a FIC atuará exclusivamente sob o guarda-chuva do Itaú, enquanto GPA, Casas Bahia e Assaí avançam em planos individuais para seus balcões financeiros.
Especialistas avaliam que o reposicionamento das varejistas deve intensificar a competição por parcerias bancárias, principalmente nas frentes de cartões de crédito e crédito direto ao consumidor.
Em síntese, a recompra das participações reafirma a estratégia do Itaú de ampliar presença no varejo financeiro, ao mesmo tempo em que libera GPA, Casas Bahia e Assaí para negociarem novos acordos e expandirem suas ofertas de produtos aos clientes.
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Este conteúdo mostrou como o Itaú reposiciona seu portfólio ao assumir a totalidade da FIC e da Investcred. Continue navegando pelo Diário de Finanças e receba atualizações diárias sobre crédito, investimentos e mercado varejista.



