Juros do cartão de crédito tornaram-se o principal fator de pressão sobre o orçamento das famílias brasileiras, contribuindo para o recorde de inadimplência registrado em 2025, segundo dados do Banco Central.
O levantamento mostra que, mesmo após uma leve queda dos juros do rotativo ao longo de 2025, a modalidade continua sendo a dívida mais cara do mercado, acompanhada pelo cheque especial, cujos encargos alcançaram 138% ao ano.
Juros do cartão de crédito disparam e elevam inadimplência
Deixar de quitar a fatura integral do cartão equivale, na prática, a contrair um empréstimo de curto prazo a taxas elevadas. O diretor da Mix Fiscal e especialista em direito tributário pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Fabrício Tonegutti, alerta que o endividamento já atinge quase metade da renda mensal das famílias, cenário que fez a inadimplência saltar de 3,5% em 2024 para 5% no fim de 2025 — o maior índice desde 2012.
Uso do cheque especial também pesa no bolso
Além do rotativo do cartão, o cheque especial figura entre os maiores vilões. Quem recorre ao limite bancário paga, em média, 138% ao ano. Essa combinação de taxas elevadas fez o estoque total de crédito — soma das dívidas de pessoas físicas e jurídicas — chegar a R$ 4,8 trilhões, crescimento de quase 12% em doze meses.
Cresce a busca por crédito consignado
O relatório do Banco Central destaca ainda o avanço expressivo do crédito consignado. Em 2025, a modalidade quase dobrou, com alta de 90,9%. O movimento foi impulsionado por medida provisória editada em março, que autorizou a contratação digital do consignado com garantia de até 10% do saldo do FGTS.
Renda comprometida perto de 50%
O comprometimento médio da renda familiar com dívidas atingiu 50% dos ganhos mensais em novembro. Em termos anuais, manteve-se dentro da média histórica, em 29,3%, mas o patamar elevado no fim do ano reforça a preocupação com a saúde financeira das famílias.
Imagem: Divulgação
Conselho de especialista
Para Tonegutti, a melhor estratégia é utilizar empréstimos mais baratos para quitar dívidas caras, como o rotativo do cartão. “Comprar com consciência protege o bolso agora e no futuro”, resume o diretor da Mix Fiscal, empresa com duas décadas de atuação em inteligência tributária para o varejo.
O cenário reforça a necessidade de planejamento financeiro e de atenção às taxas cobradas pelas instituições. Enquanto os juros do cartão de crédito permanecerem nos níveis atuais, qualquer atraso na fatura pode transformar uma despesa pontual em um problema de longo prazo.
Para aprofundar o tema e conferir outras análises do mercado, visite a seção de Economia do nosso portal.
Resumo: a combinação de juros elevados no cartão de crédito e no cheque especial elevou a inadimplência ao maior patamar em 13 anos. Fique atento às taxas e planeje seus gastos. Compartilhe este conteúdo e acompanhe nossas próximas publicações para mais dicas de finanças pessoais.



