Juros para famílias saltam para 60,1% ao ano em 2025 -

Juros para famílias saltam para 60,1% ao ano em 2025

Juros para famílias alcançaram 60,1% ao ano em dezembro de 2025, alta de 7 pontos percentuais (pp) em relação a 2024, segundo as Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pelo Banco Central.

O avanço foi impulsionado pela maior participação das operações de cartão de crédito rotativo, modalidade que registrou taxa média de 438% ao ano, mesmo após a limitação na cobrança de juros em vigor desde janeiro de 2024.

Juros para famílias saltam para 60,1% ao ano em 2025

O crédito rotativo, utilizado quando o consumidor não quita integralmente a fatura e paga o valor mínimo, dura 30 dias. Passado esse período, a dívida migra para o cartão parcelado, cujas taxas também subiram: 17,9 pp, chegando a 189% ao ano em 2025.

Cartão de crédito e empréstimo pessoal pressionam taxas

Além do rotativo, o crédito pessoal não consignado apresentou elevação de 13,4 pp, encerrando o ano em 116,8% ao ano. Esses segmentos respondem por parte expressiva da carteira de pessoas físicas e explicam a escalada dos juros médios para as famílias.

Empresas enfrentam custo maior de financiamento

Para as empresas, a taxa média livre atingiu 25% ao ano, avanço de 3,3 pp. Operações de capital de giro com prazo até 365 dias avançaram 30,6 pp e atingiram 50,3% ao ano, enquanto o cheque especial empresarial saltou 24,7 pp, alcançando 355,7% ao ano.

Crédito direcionado mostra estabilidade

No segmento direcionado, onde as regras são definidas pelo governo, os juros ficaram em 11,2% ao ano para pessoas físicas (alta de 1 pp) e permaneceram em 12,2% ao ano para empresas, mostrando menor volatilidade que o crédito livre.

Selic elevada sustenta aumento do spread bancário

Com a taxa básica Selic fixada em 15% ao ano, o spread bancário subiu 3,9 pp e fechou 2025 em 21,4 pp. O indicador mede a diferença entre o custo de captação dos bancos e o que é efetivamente cobrado do cliente, refletindo custos, risco de inadimplência e margem de lucro.

Concessões de crédito desaceleram

As novas concessões totalizaram R$ 786,4 bilhões em 2025, expansão de 9,1%, ritmo menor que os 15,5% observados em 2024. O estoque de crédito do Sistema Financeiro Nacional chegou a R$ 7,122 trilhões, crescimento de 10,2% no ano.

Na divisão por público, os saldos foram de R$ 4,423 trilhões para pessoas físicas e R$ 2,699 trilhões para pessoas jurídicas. Já o crédito ampliado ao setor não financeiro alcançou R$ 20,790 trilhões, impulsionado por avanços de 19,1% nos títulos públicos e de 10% nos empréstimos bancários.

Endividamento e inadimplência sobem

Em dezembro de 2025, a inadimplência geral (atrasos acima de 90 dias) chegou a 4,1%, alta de 1,1 pp frente a 2024. Para as famílias, o índice atingiu 5%, enquanto nas empresas ficou em 2,5%.

O endividamento das famílias — razão entre estoque de dívidas e renda acumulada em 12 meses — alcançou 49,8% em novembro, avanço de 1,5 pp em 12 meses. Excluindo o financiamento imobiliário, o nível fica em 31,3%. O comprometimento de renda permaneceu estável em 29,3% no mesmo mês, embora tenha subido 2,2 pp no acumulado de um ano.

Os indicadores de endividamento utilizam dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE e apresentam defasagem de um mês em relação às demais estatísticas.

Com os juros básicos no maior patamar desde 2006, consumidores e empresas enfrentam crédito mais caro, cenário que reflete a estratégia do Banco Central de conter a inflação ao restringir a demanda.

Para acompanhar mais análises sobre o comportamento do crédito e outras notícias econômicas, confira a seção de Economia do Diário de Finanças.

Juros elevados impactam diretamente o bolso das famílias e o planejamento financeiro das empresas. Fique atento às próximas decisões da política monetária e avalie suas opções de crédito com cautela.

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