Passaporte dos Estados Unidos perde relevância no cenário global e ocupa apenas a 10ª posição no Henley Passport Index de 2026, depois de perder o acesso sem visto a sete destinos nos últimos 12 meses.
O recuo confirma uma tendência de duas décadas: desde 2006, o documento norte-americano caiu seis colocações no ranking de mobilidade e registra a terceira maior perda histórica do índice elaborado com dados da International Air Transport Association (IATA).
Passaporte dos Estados Unidos cai para 10º lugar em 2026
De acordo com a consultoria Henley & Partners, os cidadãos dos EUA podem entrar em 179 países sem visto prévio ou com visto na chegada. O número, embora suficiente para recolocar o país no Top 10, é inferior aos 192 destinos liberados para Singapura, líder absoluta de 2026.
Por que o passaporte americano perdeu força
Analistas relacionam a erosão do poder de mobilidade norte-americano a fatores como volatilidade política interna, tensões geopolíticas e menor participação em acordos multilaterais. A credibilidade de uma nação, destacam os especialistas do relatório, está diretamente ligada à estabilidade política, à influência diplomática e à segurança institucional — pilares que impactam negociações de vistos em todo o mundo.
Quem avançou no ranking global
Países asiáticos e europeus dominam as primeiras posições do Henley Passport Index 2026:
- 1º lugar: Singapura – 192 destinos
- 2º lugar: Japão e Coreia do Sul – 188 destinos
- 3º lugar: Dinamarca, Luxemburgo, Espanha, Suécia e Suíça – 186 destinos
- 4º lugar: Bloco com Áustria, Bélgica, França, Alemanha, Itália e outros – 185 destinos
- 5º lugar: Emirados Árabes Unidos – 184 destinos, maior salto histórico (+149 desde 2006)
O desempenho dos Emirados Árabes chama atenção: em 20 anos, o país subiu 57 posições graças a estratégia diplomática ativa e liberalização de políticas de visto.
Impactos para viajantes, investidores e empresas
A perda de destinos acessíveis reflete diretamente em custos, tempo de planejamento e oportunidades de negócios para cidadãos e empresas norte-americanas. Obstáculos adicionais de visto podem dificultar:
- Expansão patrimonial internacional
- Planejamento educacional no exterior
- Prospecção de novos mercados
- Gestão de risco geopolítico
O relatório também indica crescente procura por dupla cidadania: em 2025, 30% da demanda por serviços de cidadania alternativa veio de norte-americanos interessados em diversificar a mobilidade global.
Imagem: Divulgação
Situação da América Latina
Na América do Sul, o Chile ocupa a 13ª posição (175 destinos), enquanto Brasil e Argentina dividem o 16º lugar, com 169 destinos cada. Para padrões regionais, o passaporte brasileiro é considerado sólido, embora ainda distante do bloco europeu.
Disparidade extrema no índice
A diferença entre o passaporte mais forte, de Singapura, e o mais fraco, do Afeganistão (24 destinos e 101ª posição), chega a 168 destinos — uma das maiores já registradas pelo índice.
Perspectivas para 2027
Especialistas projetam que a mobilidade internacional continuará refletindo a capacidade de cada país em manter estabilidade interna e relações externas consistentes. Para os Estados Unidos, a recuperação dependerá de retomada diplomática capaz de reverter as recentes restrições impostas por parceiros estratégicos.
Em um mundo onde viagens sem visto se tornaram ativo econômico, acompanhar o desempenho dos passaportes ajuda investidores, empresas e famílias a planejar com antecedência suas escolhas de residência, educação e expansão de negócios.
Para saber como mudanças geopolíticas afetam seus investimentos, confira a seção de Economia do Diário de Finanças.
O passaporte dos EUA ainda figura entre os dez mais poderosos do mundo, mas a perda de destinos sem visto evidencia um cenário de reconfiguração diplomática que deve seguir no radar de quem depende de mobilidade global. Continue acompanhando nossas atualizações e receba conteúdos exclusivos sobre economia internacional e planejamento patrimonial.



