A Polícia Federal sugeriu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que agentes permaneçam em tempo integral na residência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para prevenir uma eventual fuga. No ofício enviado nesta terça-feira (27), o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, apontou como precedente a vigilância instalada na casa do juiz Nicolau dos Santos Neto, o “Lalau”, na década de 2000.
Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde 4 de agosto por determinação de Moraes, que também ordenou o uso de tornozeleira eletrônica. Segundo a PF, o equipamento depende de sinal de telefonia móvel, sujeito a falhas ou sabotagem, o que “permitiria tempo hábil” para uma evasão. Por isso, a corporação considera o monitoramento eletrônico insuficiente.
‘Caso Lalau’ como modelo
No documento, Rodrigues lembra que, após condenação por desvio de quase R$ 170 milhões na construção do Fórum Trabalhista de São Paulo, o juiz Nicolau cumpriu pena em casa sob custódia de uma equipe da PF que permanecia 24 horas no local. O diretor-geral afirma que solução semelhante garantiria “vigilância efetiva” e dispensaria a fiscalização de vizinhos e veículos do condomínio, considerada constrangedora e difícil de executar.
PGR será ouvida
Depois de receber a proposta, Moraes solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR). Mais cedo, o ministro já havia determinado à Polícia Penal do Distrito Federal que realizasse “monitoramento em tempo real” da casa do ex-mandatário. A PGR, em parecer prévio, defendeu o envio de “equipes de prontidão em tempo integral”.
Risco de fuga
O reforço de segurança foi discutido após o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) informar à PF que Bolsonaro poderia deixar o país antes do julgamento marcado entre 2 e 12 de setembro de 2025, na Primeira Turma do STF, por suposta tentativa de golpe de Estado. Moraes mencionou ainda “ações incessantes” do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que se encontra no exterior, como indicativo do risco de fuga do pai.
Na semana passada, Jair e Eduardo Bolsonaro foram indiciados pela PF por coação no curso do processo e por tentativa de abolir violentamente o Estado Democrático de Direito. A suspeita é de que teriam articulado para que o governo dos Estados Unidos aplicasse sanções ao Brasil a fim de dificultar o andamento do julgamento.

Imagem: Reprodução via oglobo.globo.com
Próximos passos
A PF informou que iniciou tratativas com a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) para viabilizar a participação da Polícia Penal Federal caso o STF amplie a vigilância. O despacho aguarda análise da PGR antes de nova deliberação de Moraes.
Com essa proposta, a corporação pretende evitar falhas no controle do ex-presidente durante a fase final de seu processo, mantendo-o sob vigilância constante e impedindo qualquer tentativa de deixar o país.
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Com informações de O Globo



