Rombo Banco Master de R$ 41 bilhões coloca à prova a capacidade do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), responsável por reembolsar até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ a 1,6 milhão de investidores afetados pela liquidação extrajudicial da instituição.
O Banco Central decretou a liquidação em 18 de novembro de 2024, após detectar grave crise de liquidez, descumprimento de normas e supostas fraudes que incluem venda de R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes ao BRB. É o maior teste da história do FGC, criado há 30 anos justamente para proteger correntistas em situações extremas.
Rombo Banco Master: FGC garante ressarcimento recorde
Apesar do volume inédito, o FGC dispõe de R$ 161,1 bilhões em ativos, sendo R$ 153,7 bilhões com liquidez imediata em títulos públicos, operações compromissadas, CDBs e Letras Financeiras. Segundo a entidade, esses recursos permitem o pagamento integral dos valores cobertos, dentro do limite legal.
Por que o Banco Master foi liquidado
A intervenção decorreu de:
- Crise de liquidez e comprometimento econômico-financeiro do conglomerado.
- Descumprimento de regras essenciais do Sistema Financeiro Nacional.
- Fraudes investigadas pela Polícia Federal; o principal acionista, Daniel Vorcaro, foi preso em 18 de novembro no Aeroporto de São Paulo.
Com o rombo estimado em R$ 41 bilhões, o caso supera em mais de 100 % o segundo maior episódio, o do Bamerindus, de 1997.
Quanto cada investidor pode receber
O FGC cobre depósitos à vista, poupança, CDB, LCI, LCA, LCH, LCD, letras de câmbio e operações compromissadas, até o teto de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição. O valor engloba saldo e rendimentos até 18 de novembro.
Valores acima do limite entram na massa falida e só são pagos via processo judicial. O pedido de ressarcimento pode ser feito pelo aplicativo do FGC em até cinco anos; após o cadastro ser liberado, o depósito costuma ocorrer em até 30 dias, podendo começar 48 horas após a habilitação.
Liquidez do FGC e números do fundo
Dados de setembro de 2024 apontam:
Imagem: Divulgação
- Ativos totais: R$ 161,1 bi
- Ativos de curto prazo: R$ 153,7 bi (liquidez imediata)
- Ativos de longo prazo: R$ 8,0 bi (realização em 12 meses)
A alocação majoritária em papéis federais garante acesso rápido ao caixa para cobrir o ressarcimento recorde.
Calendário da crise
17 nov — Banco anunciou possível venda a consórcio internacional (aporte de R$ 3 bi).
18 nov — Prisão de Daniel Vorcaro e decreto de liquidação pelo BC.
19-29 nov — Afastamento de executivos e nomeação de novos administradores.
Pós-liquidação — FGC prepara cadastro e inicia conferência de credores.
Reforço nas regras após o caso
O Conselho Monetário Nacional aprovou mudança na Resolução 5.238: a partir de 1º de junho de 2026, a contribuição das instituições ao FGC dobrará de 0,01 % para 0,02 % sobre os recursos captados, medida que busca reduzir incentivos a riscos excessivos e prevenir novas quebras de grande porte.
Para investidores, a orientação é acompanhar as notificações do aplicativo do FGC, manter dados bancários atualizados e observar o limite de cobertura ao diversificar investimentos.
Agora que você entendeu como o FGC vai lidar com o rombo Banco Master, veja também outras análises sobre o impacto de crises financeiras na economia em nossa seção dedicada de Economia.
O caso Master reforça a importância de escolher instituições sólidas, acompanhar indicadores de liquidez e respeitar o teto de garantia do FGC. Fique atento às próximas etapas e, se for um dos credores, realize o pedido de ressarcimento dentro do prazo para receber o quanto antes.



