Seguro do cartão de crédito costuma ser apontado como solução rápida para quem vai ao exterior, mas especialistas alertam que a cobertura oferecida pelas bandeiras raramente atende às exigências mínimas de muitos países e deixa de fora serviços essenciais.
Em plena temporada de férias, a contratação de um seguro viagem desponta como item obrigatório do checklist de quem cruza fronteiras. Entretanto, confiar apenas no benefício atrelado ao cartão pode resultar em problemas na imigração ou em gastos inesperados durante a estadia.
Seguro do cartão de crédito falha em viagens internacionais
Cobertura abaixo do mínimo exigido
De acordo com Hugo Reichenbach, diretor de operações da Real Seguro Viagem, a proteção média oferecida pelos cartões gira em torno de US$ 15 mil. Já grande parte dos países europeus signatários do Tratado de Schengen exige cobertura de, no mínimo, € 30 mil. Caso o viajante não apresente apólice compatível, corre o risco de ser barrado na entrada.
A discrepância não se limita à Europa. Cuba, Venezuela e Equador, na América Latina, também determinam a obrigatoriedade do seguro. O mesmo vale para destinos no Oriente Médio, como Emirados Árabes, Irã e Turquia, além de Austrália e Irlanda no caso de intercambistas.
Reembolso: o bolso sente primeiro
Outra limitação relevante é o modelo de reembolso. Nos seguros vinculados ao cartão, o viajante paga a despesa médica ou hospitalar e solicita ressarcimento depois do retorno. Em uma emergência, desembolsar quantias elevadas em moeda estrangeira pode comprometer todo o orçamento.
Além disso, a maioria das apólices dos cartões restringe-se a despesas médicas básicas. Serviços como extravio de bagagem, cancelamento de voos ou repatriação raramente são incluídos, ampliando o risco financeiro e logístico do turista.
Ativação nem sempre é automática
Muitos consumidores acreditam que o seguro entra em vigor automaticamente, mas é necessário comprar a passagem com o mesmo cartão para habilitar o benefício. Caso o limite seja insuficiente ou o bilhete esteja mais barato em outra forma de pagamento, a proteção deixa de valer.
Se a apólice não for ativada, todo o amparo prometido pela bandeira se perde, cenário que apenas se revela no momento de maior necessidade, gerando stress adicional ao viajante.
Imagem: Divulgação
Seguro especializado: investimento que evita transtornos
Diante das restrições, Reichenbach recomenda contratar um seguro viagem especializado. Empresas do segmento ajustam a cobertura ao perfil do passageiro e ao propósito da viagem, contemplando, por exemplo, passeios radicais, deslocamentos com crianças ou transporte de pets.
O valor pago extra tende a representar pequena fração do orçamento total da viagem, mas garante atendimento imediato, sem desembolso emergencial, e evita contratempos na imigração. Para quem viaja a trabalho ou visita familiares, a tranquilidade resultante da cobertura integral torna-se ainda mais relevante.
Embora não seja obrigatório em todos os destinos, o seguro personalizado também é indicado para viagens nacionais. Despesas médicas fora da cidade de origem, perda de bagagem em voos domésticos e atrasos podem gerar custos consideráveis que a apólice especializada cobre de forma abrangente.
Especialistas concluem que o seguro do cartão de crédito pode servir como complemento, mas não substitui a contratação dedicada quando se considera o impacto financeiro de um imprevisto no exterior.
Para entender melhor como proteger seu bolso em outras situações, confira nossa cobertura em Economia e veja dicas que ajudam a planejar cada etapa da sua viagem.
Resumindo: antes de embarcar, avalie as exigências do país de destino, compare os limites de cobertura e considere um seguro viagem especializado. Sua saúde e seu orçamento agradecem. Planeje-se e viaje com segurança!



