Simples no cartão de crédito é a nova modalidade de pagamento autorizada pela Receita Federal para Microempreendedores Individuais (MEIs) quitarem o Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS). A medida, válida desde esta sexta-feira (19), acrescenta o tributo à fatura mensal e promete mais praticidade ao reunir, em um só lugar, despesas comerciais e pessoais.
O economista Roberto Troster, entrevistado no programa Conexão Record News, avalia que a alternativa simplifica a gestão financeira, mas alerta para o risco de endividamento quando o empresário não paga o valor integral da fatura ou atrasa a quitação.
Simples no cartão de crédito: MEI ganha opção, mas há risco
Segundo Troster, o cartão de crédito facilita a organização de microempresas porque concentra despesas fixas. Contudo, juros elevados e multas automáticas podem transformar pequenas pendências em grandes passivos. “Hoje existem quase R$ 500 milhões em dívidas negativadas. Já os débitos com a Receita Federal superam R$ 5 trilhões. Quando o pagamento atrasa, a correção pela Selic começa imediatamente e vira bola de neve”, afirmou o economista.
O especialista considera urgente rever a sistemática de multas. Para ele, a agilidade no aumento da dívida “retalia” o crescimento empresarial. “Se o Brasil quer expandir, não pode manter punições tão severas. Basta um dia de atraso para que as multas incidam”, criticou.
Como funciona a nova forma de recolhimento
O DAS continua sendo gerado no Portal do Empreendedor ou em aplicativos parceiros. A novidade está na possibilidade de o valor ser debitado no cartão de crédito, em uma ou mais parcelas, conforme a regra do emissor. Na prática, o MEI deixa de precisar emitir boleto bancário ou usar débito em conta.
Apesar da comodidade, Troster recomenda disciplina: “O cartão apenas muda a via de pagamento; não elimina a obrigação. Quem parcela precisa calcular se vale a pena assumir juros rotativos”. Analistas reforçam que, ao dividir o débito, o microempreendedor corre o mesmo risco que qualquer consumidor inadimplente.
Impacto para a arrecadação e para o empreendedor
Especialistas projetam que a Receita possa reduzir a inadimplência no curto prazo, já que a nova opção tende a atrair contribuintes que esqueciam o vencimento do boleto. No entanto, se o proprietário deixar a fatura do cartão acumular, o problema apenas migra de esfera: sai do contencioso tributário e entra na dívida com instituição financeira.
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Para mitigar riscos, contadores recomendam reservar, ao longo do mês, o valor do DAS em conta separada e usar o cartão apenas como meio de liquidação, nunca como linha de crédito.
Dicas de gestão para o MEI
- Definir limite específico no cartão exclusivo para despesas do negócio.
- Conferir a data de fechamento da fatura e alinhar ao calendário do Simples.
- Acompanhar diariamente o saldo disponível para evitar uso inadvertido.
- Priorizar o pagamento integral da fatura antes do vencimento.
A Receita Federal não divulgou previsão de ampliação da novidade para outros regimes tributários. Enquanto isso, o MEI ganha mais flexibilidade, mas também responsabilidade redobrada para não transformar conveniência em passivo.
Quer aprofundar o controle financeiro do seu negócio? Confira outras orientações na seção Cartão de Crédito e mantenha suas contas saudáveis.
Em resumo, a possibilidade de quitar o Simples com cartão alivia a rotina do microempreendedor, mas exige planejamento para evitar juros altos e penalidades. Organize seu fluxo de caixa e aproveite o recurso com cautela.



