Sócio de Vorcaro preso, Augusto Lima, principal parceiro de Daniel Vorcaro no Banco Master, foi detido pela Polícia Federal na manhã desta segunda-feira (11). O empresário baiano, conhecido por ter criado o CredCesta, passou a ser investigado no mesmo inquérito que levou à prisão do controlador do banco.
A operação da PF ocorreu em São Paulo e mirou executivos ligados à instituição financeira após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Master. Assim como Vorcaro, Lima teve a prisão preventiva decretada pela Justiça Federal, sob suspeita de irregularidades na concessão de crédito consignado e gestão fraudulenta.
Sócio de Vorcaro preso: Augusto Lima detido pela PF
Nascido em Salvador, Augusto Lima construiu influência no setor público baiano e manteve relações com figuras políticas de destaque no estado. O CredCesta, produto que idealizou, tornou-se um dos principais ativos do Banco Master por oferecer cartão de crédito consignado direcionado a servidores públicos e empregados de empresas conveniadas.
Segundo investigadores, o modelo de negócio do CredCesta entrou no radar do Banco Central após indícios de falhas na retenção de parcelas em folha e na precaução contra endividamento excessivo. A autarquia afirmou que as ações adotadas visam preservar a estabilidade do sistema financeiro e proteger correntistas.
A detenção de Lima ocorreu poucos dias depois de Daniel Vorcaro ser preso enquanto tentava embarcar para o exterior. Na mesma semana, o presidente do Banco de Brasília (BRB) foi afastado temporariamente do cargo por supostas ligações com o caso. As autoridades apuram se houve conluio entre executivos para drenar recursos do banco por meio de operações de crédito consignado.
Em nota, a defesa de Augusto Lima informou que entrará com pedido de habeas corpus e nega qualquer irregularidade na gestão do CredCesta. A equipe jurídica de Daniel Vorcaro, por sua vez, atribuiu a prisão do empresário a pressões políticas, mas não detalhou quais seriam os responsáveis.
O Banco Central manteve silêncio sobre novas medidas administrativas, limitando-se a confirmar que a liquidação extrajudicial do Master permanece em vigor. Clientes da instituição continuam com atendimento restrito ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para reaver saldos até o limite coberto.

Imagem: Maria Isabel Oliveira
Nas próximas semanas, a PF deve ouvir ex-funcionários e fornecedores do CredCesta, além de requisitar documentos que detalhem a estrutura societária do banco. A investigação também verifica eventuais transferências ao exterior que possam caracterizar evasão de divisas.
Enquanto isso, o mercado financeiro acompanha com atenção os desdobramentos. Analistas veem sinal de reforço regulatório sobre produtos de crédito consignado, segmento que ganhou relevância entre servidores públicos e aposentados por oferecer taxas inferiores às praticadas no crédito pessoal.
O caso segue sob sigilo, mas novas fases da operação não estão descartadas. Caso sejam confirmadas irregularidades na concessão de crédito e gestão de recursos, os envolvidos podem responder por crimes contra o sistema financeiro, levando a penas de reclusão e multas.
Para entender como a liquidação de uma instituição impacta clientes e investidores, confira outros conteúdos em nosso caderno de Economia.
Relembre que a prisão de Augusto Lima intensifica a crise no Banco Master e evidencia o foco das autoridades em práticas de crédito consignado. Acompanhe as atualizações e compartilhe esta reportagem se ela foi útil para você.



