Próxima crise será do mercado financeiro, alerta Jakurski -

Próxima crise será do mercado financeiro, alerta Jakurski

Próxima crise será do mercado financeiro, alerta Jakurski. O sócio-fundador da gestora JGP, André Jakurski, afirmou nesta segunda-feira, 22 de setembro de 2025, que o sistema financeiro deve ser o epicentro da próxima grande turbulência global, em razão do forte crescimento das operações de crédito privado e da exposição dos bancos a esse mercado.

O executivo participou de um painel no evento Macro Day, promovido pelo BTG Pactual em São Paulo. Durante a apresentação, ele disse ver riscos significativos na intermediação de recursos para companhias que captam por meio de debêntures e outras modalidades fora do sistema bancário tradicional.

Próxima crise será do mercado financeiro, alerta Jakurski

Jakurski lembrou que as três últimas grandes crises vieram do mercado financeiro: o colapso de 1988/1990, a bolha das empresas de tecnologia entre 1999 e 2000 e a crise das hipotecas em 2008. A exceção recente foi a pandemia de covid-19, classificada por ele como um choque de saúde pública, não financeiro.

“Tenho certeza de que a próxima crise será causada pelo mercado financeiro”, afirmou. Para o gestor, o volume recorde de capital alocado em crédito privado pode “ricochetear” nos bancos, que hoje financiam empresas atuantes nesse segmento. Esse encadeamento, avalia, aumenta a probabilidade de contágio caso algum elo da cadeia apresente problemas de liquidez.

No mesmo painel, Rogério Xavier, sócio-fundador da SPX Capital, endossou a visão de que o crédito privado pode se tornar foco de tensão. Segundo ele, o represamento do impacto tarifário nas companhias americanas está reduzindo margens e elevando a alavancagem em um momento de juros altos.

Jakurski destacou ainda o comportamento do mercado de trabalho nos Estados Unidos. De acordo com o gestor, o emprego “desaqueceu substancialmente” depois da queda expressiva da imigração. Apesar disso, muitas empresas hesitam em demitir por receio de não conseguir recontratar, o que preserva a taxa de desemprego em níveis historicamente baixos.

Outro ponto de alerta, na visão do fundador da JGP, é o custo de importação absorvido pelas companhias americanas desde a adoção de tarifas mais altas durante o governo Donald Trump. O cálculo inicial, diz, era de que os preços subiriam entre 16% e 17%. Até agora, apenas 9% a 10% foram repassados ao consumidor final, corroendo as margens corporativas.

Para ilustrar possíveis efeitos desse movimento, Jakurski citou a experiência japonesa. “No Japão, aumentos de impostos provocavam um repique de inflação que depois recuava. Tarifa é imposto sobre consumo. O mesmo fenômeno vai se repetir nos Estados Unidos”, observou.

Diante desse cenário, o gestor projeta crescimento econômico mais lento até o início de 2026. Ele não descarta a chamada “repressão financeira” nos países desenvolvidos, com elevação de impostos sobre patrimônio para ampliar a arrecadação pública. Ainda assim, pondera que vários fatores sustentam a economia norte-americana, reduzindo a chance de uma recessão profunda.

Segundo Jakurski, o mercado deve acompanhar de perto a evolução do crédito privado, a resiliência das margens empresariais e a política de juros dos bancos centrais. “Os sinais de estresse costumam aparecer primeiro nos ativos de maior risco”, concluiu.

Para saber mais sobre os impactos do crédito na atividade econômica, visite nossa seção de Economia e acompanhe as análises atualizadas.

Em resumo, André Jakurski vê no volume elevado de crédito privado e na exposição dos bancos o gatilho mais provável para a próxima crise global. Acompanhe nossas atualizações e fique preparado para tomar decisões informadas.

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