Onda bolsonarista enfraquecida, avalia cientista político

Onda bolsonarista enfraquecida é a expressão empregada pelo cientista político Gabriel Rezende para definir o momento atual do movimento que se formou em torno do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o pesquisador, a recente condenação do ex-chefe do Executivo por tentativa de golpe de Estado retirou do bolsonarismo seu principal polo de coesão e reduziu a capacidade de mobilização do grupo.

Doutor em ciência política pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Rezende lançará em início de outubro o livro “A ascensão do populismo de direita no Brasil”, pela Editora Appris. A obra analisa a trajetória do populismo de direita brasileiro entre 2013 e 2022 e o encaixa em um ciclo histórico de quatro ondas populistas vividas pelo país.

Onda bolsonarista enfraquecida, avalia cientista político

Em entrevista por telefone à Agência Brasil, o autor explicou que o populismo, em sua abordagem, não é ideologia nem regime, mas um fenômeno político que desponta em momentos de crise. No caso brasileiro, crises política, econômica e social registradas entre 2013 e 2016 formaram, segundo ele, a “tempestade perfeita” para o surgimento da liderança de Jair Bolsonaro.

Quatro ciclos populistas no Brasil

Rezende identifica quatro fases: a primeira, de 1930 a 1960; a segunda, nos anos 1990, com Fernando Collor; a terceira, denominada “onda rosa” de esquerda, protagonizada por governos como o de Evo Morales e Hugo Chávez na América Latina; e a quarta, a atual, de direita, paralela a movimentos semelhantes na Europa e nos Estados Unidos.

Características do bolsonarismo

Para o cientista político, a vertente que levou Bolsonaro ao Planalto reuniu cinco pilares: a pauta anticorrupção capitaneada pela Operação Lava Jato; o apoio de lideranças evangélicas; a adesão do agronegócio; o uso intensivo de mídias digitais; e a aproximação com militares, apresentados como símbolo de moralização da política.

Judiciário como fator de contenção

Rezende sustenta que o Supremo Tribunal Federal (STF) “cumpriu o papel de guardião da Constituição” ao barrar iniciativas consideradas autoritárias. A condenação de Bolsonaro, afirma ele, removeu o principal elo do movimento e expôs disputa interna pelo legado, envolvendo nomes como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o pastor Silas Malafaia, parlamentares alinhados e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

Consequências da condenação

De acordo com a análise, a impossibilidade de o ex-presidente conceder entrevistas esvazia a retórica que sustentava a militância. “Imagine um populismo de direita no qual a figura central não pode falar”, diz Rezende. A perda de referência gerou, na avaliação dele, uma dispersão de lideranças, enquanto o movimento testa novas vozes capazes de rearticular a base até a eleição de 2026.

Reconfiguração do cenário político

O estudioso enxerga o momento como rearranjo. Enquanto a direita tenta redefinir quem representará seu eleitorado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não consolidou um sucessor que agregue as forças de esquerda, caso opte por não disputar novo mandato. “Na política, uma semana é um mundo”, reforça Rezende, indicando que o quadro pode mudar rapidamente.

O livro de Gabriel Rezende será lançado no início de outubro e pretende ampliar o debate sobre populismo de direita, oferecendo panorama histórico e análise dos fatores que possibilitaram a ascensão e, agora, o aparente declínio da onda bolsonarista.

Para quem acompanha a conjuntura, a principal conclusão do pesquisador é clara: sem seu líder e sob pressão judicial, o movimento que marcou as últimas eleições luta para manter coesão, enquanto sociedade e instituições testam seus limites e respostas.

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Resumo: a condenação de Jair Bolsonaro reduziu a força de mobilização do bolsonarismo, afirma o cientista político Gabriel Rezende. Leia, compartilhe e volte para conferir novos desdobramentos!

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