Intoxicação por metanol: antídotos e tratamentos no Brasil -

Intoxicação por metanol: antídotos e tratamentos no Brasil

Intoxicação por metanol voltou a preocupar autoridades de saúde após o registro, nesta quarta-feira (02/10), de uma morte confirmada e outras cinco suspeitas no Estado de São Paulo, todas relacionadas ao consumo de bebidas adulteradas.

De acordo com a Secretaria de Saúde paulista, mais de 20 casos estão sob investigação no estado, além de três ocorrências em Pernambuco. Especialistas alertam que o metanol é um álcool exclusivo para uso industrial — jamais destinado à ingestão — e pequenas doses já representam alto risco à vida.

Intoxicação por metanol: antídotos e tratamentos no Brasil

O analista químico Siddhartha Giese, do Conselho Federal da Química (CFQ), esclarece que o metanol pode surgir em bebidas clandestinas quando produtores substituem etanol por esse solvente mais barato ou falham na correta destilação. Apenas 10 ml do composto pode causar cegueira, enquanto 30 ml são suficientes para resultar em óbito.

Como o etanol atua como antídoto

O primeiro passo no atendimento é retardar a metabolização hepática do metanol em formaldeído e ácido fórmico, substâncias responsáveis pelos danos neurológicos e visuais. Segundo Diego Rissi, perito legista e toxicologista da Polícia Civil fluminense, o etanol farmacêutico administrado por via intravenosa compete com a mesma enzima que metaboliza o metanol, apresentando afinidade cerca de 50 vezes maior. “Dessa forma, reduzimos drasticamente a formação dos metabólitos tóxicos”, explica.

No Brasil, o uso de etanol como antídoto é restrito aos 32 Centros de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) do Sistema Único de Saúde, nove deles localizados em São Paulo. A recomendação é procurar atendimento médico imediatamente e informar a suspeita de intoxicação.

Fomepizol: alternativa ainda indisponível

Outro antídoto consagrado internacionalmente é o fomepizol, que inibe diretamente a enzima responsável pela quebra do metanol. Raphael Garcia, professor de Bioquímica, Farmacologia e Toxicologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), destaca que o medicamento não possui registro no país. O Ministério da Saúde estuda, em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), formar uma reserva estratégica para viabilizar o acesso em emergências.

Outras medidas de suporte

Quando a concentração de ácido fórmico no organismo já é elevada, a hemodiálise é indicada para remover tanto o metanol quanto seus metabólitos. “Em situações graves podem ser necessárias intervenções de suporte à vida, como ventilação mecânica, intubação e reanimação cardiopulmonar”, acrescenta Rissi.

O biomédico Leonardo André Silvani ressalta que a administração de bicarbonato de sódio auxilia no controle da acidose metabólica decorrente do acúmulo de ácido fórmico. Todo o manejo deve ocorrer em unidades hospitalares de média ou alta complexidade.

Autoridades reforçam campanhas de orientação para que a população adquira bebidas apenas de fornecedores confiáveis, verifique rótulos e lacres e desconfie de preços muito baixos. A rápida identificação de sintomas — visão turva, dor abdominal, tontura e confusão mental — pode determinar o sucesso do tratamento.

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Em síntese, o uso imediato de etanol intravenoso e, futuramente, do fomepizol, aliado a terapias de suporte como hemodiálise, forma a linha de defesa contra a intoxicação por metanol. Fique atento às recomendações das autoridades de saúde e compartilhe esta informação para ajudar a salvar vidas.

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