Veículos elétricos: montadoras freiam avanços no Brasil -

Veículos elétricos: montadoras freiam avanços no Brasil

Veículos elétricos no Brasil avançam em ritmo mais lento do que em outros grandes mercados globais, revela estudo do International Council on Clean Transportation (ICCT) publicado em 25 de outubro de 2025. A análise comparou as estratégias de eletrificação adotadas por montadoras que atuam no país com aquelas implementadas na China, Europa, Estados Unidos, Japão, Índia e República da Coreia.

Segundo o levantamento, enquanto fabricantes estabelecem metas ambiciosas de vendas de modelos totalmente elétricos nesses mercados estrangeiros, no Brasil o foco permanece nos híbridos flex — veículos que combinam motor a combustão e capacidade de utilizar gasolina ou etanol.

Veículos elétricos: montadoras freiam avanços no Brasil

Os dados mostram que a menor pressão regulatória brasileira explica boa parte dessa diferença: não há metas de zero emissão semelhantes às vigentes na Europa nem créditos de carbono específicos como os adotados nos Estados Unidos e na China. Sem exigências robustas, as montadoras mantêm portfólios centrados em motores a combustão ou em híbridos flex, cuja emissão do poço à roda supera a dos elétricos a bateria.

Participação de mercado contrastante

A Figura 1 do estudo destaca a disparidade. Em 2023, as montadoras pesquisadas detinham, em média, participação de 25 % em veículos elétricos nos seis maiores mercados analisados, enquanto no Brasil esse índice ficou abaixo de 3 %. A diferença coloca em xeque a capacidade nacional de alcançar a neutralidade de carbono até 2050.

Influência das políticas públicas

O ICCT aponta que o Programa de Mobilidade Verde e Inovação (MOVER) estabelece meta de redução de 12 % no consumo de energia dos veículos até 2027 — porcentual considerado tímido diante de programas internacionais equivalentes. Além disso, o MOVER mantém incentivos fiscais a híbridos flex até 2026, postergando a adoção de tecnologias totalmente elétricas.

A ausência de um arcabouço regulatório mais rígido é listada como principal motivo para as fabricantes priorizarem projetos de híbridos em detrimento dos modelos elétricos a bateria. Para a entidade, o atraso compromete ganhos ambientais relevantes, especialmente porque a matriz elétrica brasileira, majoritariamente renovável, permitiria emissões muito baixas por quilômetro rodado.

Recomendações do estudo

Para alinhar o país às metas climáticas, o ICCT sugere duas medidas prioritárias:

  • Metas de emissões mais restritivas na segunda fase do programa MOVER (2028-2032), obrigando montadoras a acelerar investimentos em veículos elétricos.
  • Instrumentos econômicos de estímulo, como sistemas de feebate (bônus-malus) ou mudanças tributárias que reduzam o custo de aquisição de carros elétricos para o consumidor.

Risco para a neutralidade de carbono

Sem ajustes na política automotiva, o Brasil pode ter dificuldade para cumprir compromissos internacionais de redução de gases de efeito estufa. A transição mais lenta para veículos a bateria significa que boa parte da frota continuará emitindo volumes expressivos de CO₂ nas próximas décadas. Essa projeção contrasta com a trajetória observada na Europa, onde a participação de elétricos já supera 20 % das vendas anuais.

Próximos passos

O estudo conclui que a adoção de metas ambiciosas e incentivos direcionados é condição necessária para acelerar a oferta de modelos elétricos e, consequentemente, reduzir emissões no setor de transporte. Caberá aos formuladores de políticas decidir se o país manterá a rota atual ou seguirá o exemplo de outros grandes mercados que já colhem benefícios ambientais e industriais da eletrificação.

Para aprofundar o entendimento sobre o impacto econômico da transição energética, confira nosso conteúdo especial na seção de Economia, onde analisamos as últimas tendências do setor automotivo e seus reflexos no mercado brasileiro.

Resumo: o ICCT alerta que, sem políticas mais firmes, o Brasil continuará atrás na corrida dos veículos elétricos. Acesse nossos materiais e acompanhe as novidades para entender como mudanças regulatórias podem influenciar seu bolso e o futuro do transporte.

Scroll to Top