Acordo Mercosul Índia avança com Brasil em Delhi marca o início de uma nova rodada de negociações comerciais entre os dois países. Integrantes do governo brasileiro estão em Nova Delhi desde o início da semana para discutir a ampliação do Acordo de Comércio Preferencial Mercosul-Índia, uma estratégia considerada essencial para diversificar exportações e importações em meio ao recente tarifaço global.
A delegação é liderada pela secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Tatiana Prazeres, e conta com representantes dos ministérios das Relações Exteriores e da Agricultura e Pecuária. Do lado indiano, quem conduz o diálogo é o secretário de Comércio, Rajesh Agraw.
Acordo Mercosul-Índia avança com Brasil em Delhi
Entre segunda-feira e hoje, as equipes técnicas abordaram temas como certificado de origem eletrônico, barreiras comerciais para calçados, feijão e erva-mate, propriedade intelectual, investimentos e cooperação nas áreas de energia e finanças. Também foram discutidas pautas multilaterais, incluindo a reforma da Organização Mundial do Comércio, a agenda de comércio internacional na COP 30 e a atuação conjunta nos BRICS.
Fluxo comercial ainda é limitado
Atualmente, apenas 14% das exportações brasileiras para a Índia estão contempladas pelo acordo vigente. O tratado cobre 450 categorias de produtos de um universo aproximado de 10 mil e oferece reduções tarifárias modestas, entre 10% e 20%. Em 2022, o intercâmbio comercial somou US$ 12,1 bilhões, valor considerado aquém do potencial pelos dois governos.
Para Tatiana Prazeres, o encontro representa “mais um passo na consolidação da parceria estratégica” entre as nações. Segundo ela, há margem para ampliar o alcance do pacto, eliminando entraves que restringem o comércio bilateral e abrindo espaço para novos setores.
Mecanismo de Monitoramento e mandato renovado
Criado em 2008, o Mecanismo de Monitoramento de Comércio Brasil-Índia foi concebido para remover barreiras com agilidade e identificar oportunidades de diversificação. Em setembro deste ano, o Conselho Estratégico da Câmara de Comércio Exterior renovou o mandato negociador brasileiro, sinalizando prioridade ao aprofundamento do acordo.
Tarifaço dos EUA impulsiona diversificação
O esforço diplomático ocorre em meio ao plano de contingência anunciado por Brasília para mitigar os efeitos do tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A estratégia prevê ampliar e diversificar mercados, reduzindo a dependência do fluxo comercial com Washington. Nesse contexto, Índia, Emirados Árabes Unidos, Canadá e Vietnã estão na lista de parceiros com negociações em curso.
Visita de Alckmin reforça agenda
A missão técnica abre caminho para a viagem do vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, agendada para 16 e 17 de outubro em Nova Delhi. A expectativa é que a presença do vice-presidente dê impulso político às discussões e permita anunciar avanços concretos na rodada seguinte.

Imagem: Divulgação
Com a aproximação, Brasil e Índia reiteram o objetivo de intensificar o comércio bilateral e alargar a lista de produtos beneficiados por preferências tarifárias. “Há um grande potencial não explorado”, avalia Tatiana Prazeres, ao destacar que a expansão do acordo é vista como instrumento-chave para fortalecer a parceria econômica de longo prazo.
No curto prazo, os negociadores pretendem concluir a revisão das listas de concessões, simplificar procedimentos alfandegários e estabelecer cronogramas para a redução de tarifas sobre novos itens. Caso o calendário seja mantido, a proposta consolidada poderá ser submetida ao Mercosul e ao Parlamento indiano ainda no primeiro semestre de 2024.
Enquanto avançam as conversas em Nova Delhi, empresários dos dois países acompanham de perto as tratativas, apostando no crescimento das trocas em setores como agronegócio, calçadista, têxtil, farmacêutico e de tecnologia da informação.
O desfecho das negociações deverá definir a profundidade do novo acordo e indicar se Brasil e Índia conseguirão transformar o atual comércio de US$ 12,1 bilhões em um fluxo mais robusto e diversificado.
Para acompanhar outros desdobramentos sobre acordos internacionais e o impacto na economia brasileira, visite a seção de Economia do Diário de Finanças.
Em resumo, o diálogo bilateral em Nova Delhi sinaliza um avanço significativo na ampliação do Acordo Mercosul-Índia e reforça a busca do Brasil por novos mercados em meio a tensões comerciais globais. Fique atento e acompanhe nossas atualizações para saber como essas medidas podem influenciar seu negócio ou carreira.



