MED 2.0 Pix reforça rastreamento e bloqueio de fraudes -

MED 2.0 Pix reforça rastreamento e bloqueio de fraudes

MED 2.0 Pix é a nova etapa do mecanismo de devolução que, a partir de 23 de novembro, passa a mapear todo o caminho percorrido pelo dinheiro após uma fraude e bloqueia valores mesmo nas contas subsequentes, elevando as chances de ressarcimento.

A funcionalidade, facultativa no lançamento, torna-se obrigatória em 2 de fevereiro e busca conter a principal dificuldade do sistema atual: em 2025, 92% das quantias contestadas não foram recuperadas por falta de saldo na primeira conta de destino.

MED 2.0 Pix reforça rastreamento e bloqueio de fraudes

Como funciona o novo rastreamento

Hoje, o Mecanismo Especial de Devolução (MED) atua somente sobre a conta que recebeu o Pix fraudulento. Com a versão 2.0, o Banco Central (BC) passará a compartilhar a trilha do dinheiro com todas as instituições envolvidas, permitindo a devolução em até 11 dias após o registro da reclamação.

“A evolução do MED 2.0 é exatamente para evitar a triangularização que acontece depois do golpe”, explica Fernanda Laranja, vice-presidente da Zetta. Leandro Vilain, presidente da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), acrescenta que em apenas cinco minutos os criminosos podem transferir os valores por até cinco contas diferentes.

Debate sobre limites para valores altos

Entidades do setor pleiteiam a retenção temporária de transferências de alto valor. O Fórum Técnico de Entidades do Setor de Pagamentos — que reúne ABBC, Febraban, Abecs, Abipag, Abranet e Zetta — sugeriu ao BC o bloqueio preventivo do montante na conta de destino para verificar indícios de fraude, sem impedir a liquidação primária.

Segundo Vilain, a medida não afetaria a maioria dos usuários: “Para a população em geral, nada muda; mas se a quantia é elevada, o dinheiro fica bloqueado até que se confirme a regularidade”.

Contas-laranja e segurança jurídica

Mesmo com o dinheiro rastreável, o uso de contas-laranja permanece como gargalo. Há um “mercado de aluguel” no qual pessoas recebem entre R$ 200 e R$ 250 por semana para ceder suas contas. As associações defendem regras que permitam o encerramento compulsório dessas contas, independentemente de o titular alegar desconhecimento.

O BC testa o programa Protege Mais, que autoriza o próprio usuário a bloquear a abertura de contas em seu nome. A funcionalidade deve ser estendida às chaves Pix.

Ataques hackers e robustez do sistema

Dois incidentes relevantes em 2025 — um na C&M, estimado em mais de R$ 1 bilhão, e outro na Sinqia, de R$ 710 milhões — exploraram credenciais legítimas de provedores de serviços de tecnologia da informação conectados ao Pix. Especialistas creditam a vulnerabilidade ao “elo humano”, não à infraestrutura.

“A taxa de problemas com Pix é de 0,01%, menor que em qualquer outro arranjo”, lembra Laranja. Diego Perez, presidente da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), reforça que a estrutura segue “bem robusta”.

Novas exigências de capital mínimo

O BC alterou a metodologia de cálculo do capital mínimo requerido, passando a considerar o tipo de atividade, não mais o tipo de instituição. Bancos, cooperativas e instituições de pagamento foram impactados. Perez alerta para um possível movimento de fusões e aquisições, diante da dificuldade de capitalização, enquanto o diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino, afirma que “inovação e segurança devem caminhar juntas”.

Para Vilain, o sistema financeiro precisa acompanhar a mobilidade do crime digital: “Os criminosos migram para onde percebem menor risco de punição”.

Com o MED 2.0 Pix, autoridades e mercado esperam fechar o cerco às transações fraudulentas e elevar a eficiência na devolução de valores, sem comprometer a agilidade que consagrou o meio de pagamento instantâneo.

Quer saber mais sobre temas que influenciam seu bolso? Confira outras análises na seção de Economia do Diário de Finanças.

Em resumo, o MED 2.0 Pix amplia o rastreamento, bloqueia recursos em contas sucessivas e mira fraudes de alto valor, representando um passo decisivo na segurança do sistema de pagamentos. Continue acompanhando nossas atualizações e compartilhe a matéria nas suas redes.

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