Caixa reporta lucro de R$ 3,8 bi no 3º tri e cresce 15,4%, resultado que evidencia a expansão da instituição em meio ao aumento da inadimplência em alguns segmentos de crédito.
O lucro recorrente alcançado pela Caixa Econômica Federal no terceiro trimestre de 2025 somou R$ 3,8 bilhões, 15,4% acima do registrado no mesmo período de 2024 e 2,2% superior ao segundo trimestre deste ano. O desempenho foi impulsionado pelo avanço da carteira de crédito, porém acompanhado por provisões mais altas para perdas.
Caixa reporta lucro de R$ 3,8 bi no 3º tri e cresce 15,4%
Qualidade de ativos pressiona provisões
A margem financeira totalizou R$ 16,5 bilhões, apresentando alta de 1% sobre o trimestre anterior e de 14% em doze meses. As despesas de provisão para devedores duvidosos atingiram R$ 5,1 bilhões, salto de 43,9% frente ao segundo trimestre e de 64,5% em relação ao mesmo intervalo de 2024.
O índice de inadimplência superior a 90 dias fechou setembro em 3,01%, ante 2,66% em junho e 2,27% um ano antes. No crédito imobiliário, a inadimplência recuou levemente para 1,30%, contra 1,42% em setembro de 2024. Já no agronegócio, o indicador atingiu 11,20%, bem acima dos 3,35% de doze meses atrás. Nos empréstimos livres para pessoas físicas, a taxa chegou a 6,25%, enquanto nas operações livres para empresas avançou para 12,50%.
Carteira ultrapassa R$ 1,3 trilhão
A carteira de crédito da Caixa somou R$ 1,3 trilhão, crescimento de 3,1% no trimestre e de 10,3% em doze meses. O crédito imobiliário manteve peso predominante, com saldo de R$ 905 bilhões, alta de 3,4% ante junho e de 11,4% na comparação anual.
As contratações de financiamento habitacional totalizaram R$ 67,8 bilhões entre julho e setembro, avanço trimestral de 18,3% e anual de 6,9%. O setor foi impulsionado por mudanças anunciadas pelo governo federal em outubro, que reduziram gradualmente o recolhimento compulsório sobre recursos da poupança destinados à habitação, incentivando as instituições a ampliarem o crédito imobiliário.
Mudança na captação
Com o novo modelo, os bancos podem direcionar recursos captados no mercado para financiamentos habitacionais e, simultaneamente, liberar parte equivalente dos depósitos de poupança para outras finalidades. Já se observa ajuste na estrutura de funding da Caixa: enquanto os depósitos de poupança cresceram apenas 2,9% em um ano, para R$ 392 bilhões, as letras de crédito imobiliário (LCI) avançaram 37,5%, alcançando R$ 236 bilhões.
Imagem: Victor Moriyama
Desempenho em outros segmentos
No crédito comercial para pessoas físicas, o saldo atingiu R$ 148 bilhões, expansão trimestral de 2,6% e anual de 10,9%. Para empresas, o estoque chegou a R$ 111 bilhões, crescendo 3,7% e 10,8%, respectivamente. A carteira de infraestrutura encerrou setembro em R$ 109 bilhões, enquanto o agronegócio somou R$ 62 bilhões, ambos com avanços em torno de 4% em doze meses.
Apesar da elevação na inadimplência, a direção da Caixa avalia que o novo ambiente de mercado deve favorecer o desenvolvimento de um mercado secundário de crédito imobiliário, sobretudo quando a taxa de juros básica se estabilizar em torno de um dígito.
Ao combinar expansão seletiva da carteira e ajustes nas fontes de captação, o banco estatal busca equilibrar lucro, crescimento e qualidade de crédito, mesmo diante de desafios específicos em segmentos como agronegócio e empresas.
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Resumo: A Caixa registrou lucro de R$ 3,8 bilhões no 3º trimestre de 2025, alta de 15,4% em um ano, apoiada pelo avanço da carteira de crédito e por mudanças no modelo de captação para habitação. Continue acompanhando nossos conteúdos para entender como esses movimentos podem impactar suas decisões financeiras.



