FGC inicia o maior processo de ressarcimento da sua história após a liquidação do Banco Master, que deixou um rombo estimado em R$ 41 bilhões e afetou 1,6 milhão de clientes.
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição em 18 de novembro, um dia depois de Daniel Vorcaro, principal acionista, ser preso em São Paulo durante investigação de supostas fraudes que incluiriam a venda de R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes ao BRB. A medida acionou imediatamente o Fundo Garantidor de Créditos, responsável por indenizar depositantes e investidores dentro do limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição.
FGC cobre rombo de R$ 41 bi na liquidação do Banco Master
De acordo com o relatório mais recente do FGC, divulgado em setembro, o fundo possui R$ 161,1 bilhões em ativos totais, sendo R$ 153,7 bilhões em instrumentos de alta liquidez — principalmente títulos públicos, operações compromissadas e CDBs. Essa estrutura financeira sustenta o pagamento, embora o valor a desembolsar seja o maior dos últimos 30 anos.
Como funciona o ressarcimento
O processo é realizado exclusivamente pelo aplicativo do FGC. O investidor deve:
- Solicitar o reembolso em até cinco anos após a liquidação.
- Informar dados bancários de mesma titularidade para receber o crédito.
- Aguardar, em média, até 30 dias para que o valor seja depositado, podendo ocorrer a partir de 48 horas do início dos pagamentos.
O valor coberto engloba saldo e rendimentos acumulados até 18 de novembro. Montantes que excedem R$ 250 mil entram na massa falida do Banco Master e só podem ser recuperados via processo judicial.
Principais motivos da intervenção
O Banco Central apontou três fatores decisivos:
- Crise de liquidez grave, que comprometeu a capacidade de honrar saques.
- Deterioração da situação econômico-financeira do conglomerado.
- Descumprimento de normas essenciais do Sistema Financeiro Nacional.
Paralelamente, a Polícia Federal investiga fraudes que teriam inflado o balanço da instituição. Além de Vorcaro, foram presos o ex-sócio Augusto Lima e afastado o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, suspeito de participação na compra dos créditos fictícios.
Comparação com outras quebras bancárias
O caso Master supera em mais de 100 % o segundo maior ressarcimento realizado pelo FGC, o do antigo Bamerindus, que custou R$ 19,6 bilhões (valor corrigido). A seguir, alguns marcos:
- Bamerindus (1997): R$ 19,6 bi corrigidos.
- BRK (2023): R$ 1,9 bi.
- BVA (2013): R$ 568 mi.
- Banorte (1996): R$ 1,4 bi corrigidos.
Fontes de recursos do FGC
O fundo é mantido por contribuições periódicas das instituições financeiras, atualmente em 0,01 % dos depósitos captados. Resolução nº 5.238 do Conselho Monetário Nacional dobra essa alíquota para 0,02 % a partir de 1º de junho de 2026, medida que busca reforçar a solidez do sistema e inibir comportamentos de risco.
Imagem: Divulgação
Entre os produtos cobertos estão depósitos à vista, poupança, CDBs, letras de câmbio, LCI, LCA, LCH, LCD e operações compromissadas garantidas por títulos públicos. São associadas ao FGC entidades como Caixa Econômica Federal, bancos múltiplos, comerciais, de investimento e de desenvolvimento, além de sociedades de crédito, financiamento e investimento.
Calendário da intervenção
17 de novembro – Banco Master anuncia tentativa de venda a consórcio internacional com aporte de R$ 3 bilhões.
18 de novembro – Polícia Federal prende Daniel Vorcaro; Banco Central decreta liquidação extrajudicial.
19 a 29 de novembro – Executivos são afastados e novos administradores nomeados.
Pós-liquidação – FGC recebe base de clientes e inicia verificação de saldos.
Próximos passos para os investidores
Depois que o administrador indicado pelo Banco Central concluir o levantamento de saldos, o FGC notificará cada cliente pelo aplicativo oficial. O cronograma prevê o começo dos depósitos ainda no primeiro trimestre de 2026, sujeito à conclusão das verificações cadastrais.
Quem mantinha aplicações superiores ao limite garantido deve acompanhar o processo de falência para verificar eventuais habilitações de crédito. Já os investidores dentro do teto de R$ 250 mil terão pagamento integral, conforme as regras vigentes.
Com liquidez suficiente para enfrentar o rombo recorde, o FGC testa, na prática, a robustez criada ao longo de três décadas de operação. A liquidação do Banco Master reforça a importância de diversificar instituições e respeitar limites de garantia ao escolher onde investir.
Quer entender mais sobre segurança bancária e os próximos desdobramentos do caso? Confira também as análises que publicamos na seção de Economia, onde detalhamos outras decisões regulatórias que impactam o seu bolso.
Se você foi afetado, acompanhe atualizações oficiais do FGC e aja rapidamente para iniciar o pedido de reembolso. Assim, garante seu direito de receber os valores cobertos sem complicações.



