Dólar dispara a R$ 5,43 com pré-candidatura de Flávio -

Dólar dispara a R$ 5,43 com pré-candidatura de Flávio

Dólar dispara e fecha a sexta-feira a R$ 5,4328, após a confirmação da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência desencadear preocupações sobre uma possível divisão no campo da direita nas eleições de 2026.

A moeda norte-americana chegou à máxima de R$ 5,4861 durante a sessão, encerrando o dia com avanço de 2,31%—o maior nível de fechamento desde 17 de outubro. Na semana, o dólar acumulou alta de 1,83%, revertendo o desempenho positivo observado nos dias anteriores.

Dólar dispara a R$ 5,43 com pré-candidatura de Flávio

O real foi a divisa de pior desempenho entre os emergentes, refletindo o receio de que a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro fragmente o eleitorado conservador e reduza a competitividade da oposição contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para gestores do mercado, a possibilidade de continuidade da atual política econômica a partir de 2027 pesou na formação dos preços.

Temor de divisão política amplia aversão ao risco

“Houve uma mudança de patamar. Para a cotação voltar ao nível anterior, será preciso nova sinalização política, como pesquisas que indiquem menor probabilidade de reeleição de Lula ou uma candidatura de direita mais unificada”, afirmou um gestor de uma grande asset da Faria Lima.

Ele acrescentou que parte do receio está na chance de partidos do Centrão migrarem para outras alianças ou apoiarem o atual governo, cenário que, na visão dos investidores, reduziria a expectativa de alternância na condução econômica.

Fluxo cambial e remessas de dividendos pressionam câmbio

A desvalorização do real acontece em meio às discussões sobre saídas de recursos do país neste fim de ano. Monitoramento da XP aponta R$ 56,3 bilhões em anúncios de dividendos extraordinários e juros sobre capital próprio desde o fim de outubro. A corretora calcula que cerca de 65% desses valores pertencem a investidores estrangeiros e podem ser remetidos ao exterior. Do total, R$ 22,9 bilhões (cerca de US$ 4,3 bilhões) têm pagamento previsto ainda em dezembro, potencializando a demanda por dólares.

Fundamentos indicam movimento pontual, avalia economista

Para Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, o salto cambial tende a ser pontual. “O mercado se estressou, mas não acredito que o dólar permaneça neste patamar. Com a expectativa de queda de juros nos Estados Unidos na próxima semana, seguimos com carry trade favorável ao Brasil, o que sustenta um cenário positivo para o real”, avaliou.

Apesar da forte oscilação de curto prazo, operadores lembram que o real havia acumulado apreciação expressiva ao longo do ano, impulsionado por juros internos elevados e fluxo de capitais em busca de rendimento. Contudo, o episódio desta sexta-feira mostra que o ambiente político permanece determinante para a trajetória do câmbio.

No mercado futuro, contratos de dólar para janeiro também subiram mais de 2%,伴hando a pressão observada no mercado à vista. Paralelamente, a curva de juros doméstica avançou, refletindo a reprecificação do risco país pelos agentes financeiros.

Acompanhe os próximos desdobramentos eleitorais e a agenda de política monetária dos Estados Unidos para entender como esses fatores podem influenciar o comportamento do dólar nas próximas semanas.

Para continuar informado sobre os impactos políticos na economia, leia outras análises na seção de Economia do Diário de Finanças.

Resumo: a confirmação da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro levou o dólar ao maior patamar em quase dois meses. Projeções de remessas de dividendos e temores de divisão na direita ampliaram a aversão ao risco. Siga nossas atualizações e saiba como proteger seus investimentos.

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