Comprometimento de renda das famílias bate recorde histórico -

Comprometimento de renda das famílias bate recorde histórico

“`html




Comprometimento de renda das famílias bate recorde histórico


Comprometimento de renda das famílias bate recorde histórico ao alcançar 29,4% em outubro, o ponto mais alto da série iniciada pelo Banco Central (BC) em março de 2011. Mesmo sem considerar financiamentos imobiliários, o índice chegou a 27,2%, indicando maior fatia da renda destinada ao pagamento de dívidas.

O indicador, divulgado pela autoridade monetária na sexta-feira (28), reflete a combinação de mercado de crédito aquecido nos últimos anos e taxa básica de juros elevada desde 2021.

Comprometimento de renda das famílias bate recorde histórico

De acordo com o BC, o crédito às famílias vinha crescendo em ritmo intenso, mas desacelera desde o segundo trimestre de 2025. Em novembro, o avanço do estoque em 12 meses ficou em 9,5%, abaixo de 10% pela primeira vez desde maio de 2024.

Crédito perde fôlego, mas juros seguem no pico

A taxa Selic está em 15% ao ano desde junho, e o juro médio cobrado pelo sistema financeiro atingiu 31,9% ao ano em novembro, nível superior aos 28,5% registrados em dezembro de 2024. A última vez que a Selic ficou abaixo de 10% foi em dezembro de 2021.

Para Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Asset, o recorde no comprometimento de renda resulta da “combinação de juros mais altos e menor aceleração do rendimento real”. Segundo a Pnad Contínua do IBGE, a massa de rendimento real habitual marcou recorde de R$ 354,6 bilhões no terceiro trimestre, mas mostrou estabilidade ante o trimestre anterior.

Rendimento avança menos e pressiona famílias

Embora o rendimento real cresça acima da inflação, a perda de ritmo eleva o peso das dívidas. “É um cenário negativo que tende a manter a inadimplência elevada e preocupa os bancos”, avalia Kautz. A taxa de inadimplência ficou em 3,8% em outubro, patamar observado desde julho.

Em relatório, Alberto Ramos, diretor de pesquisa econômica para a América Latina do Goldman Sachs, destacou que as condições de crédito continuam desafiadoras devido à política monetária restritiva e ao crescimento moderado da economia. Iniciativas como expansão de empréstimos por bancos públicos e programas governamentais de estímulo poderão atenuar parte da pressão, segundo o analista.

Endividamento também avança

O endividamento total das famílias chegou a 49,3% da renda em outubro, maior porcentual desde novembro de 2022. Para Renato Baldini, chefe-adjunto do Departamento de Estatísticas do BC, o dado pode sinalizar tanto risco financeiro quanto maior acesso ao crédito. “O nível de endividamento é a relação entre o volume de crédito tomado para consumo ou habitação e a renda obtida”, explicou.

Perspectivas para 2026

O BC projeta expansão de 9,4% no saldo total de crédito bancário em 2025 e de 8,6% em 2026. Kautz aponta efeitos opostos à frente: a esperada redução da Selic deve aliviar a inadimplência e o comprometimento de renda, mas um provável enfraquecimento do mercado de trabalho pode conter esse efeito positivo. “O resultado final dependerá da intensidade de cada movimento”, afirma.

Em síntese, o recorde no comprometimento de renda das famílias, aliado ao nível de endividamento próximo de 50% da renda, reforça o desafio para o orçamento doméstico em 2026, enquanto a trajetória dos juros e do mercado de trabalho continuará ditando o ritmo do crédito e da inadimplência.

Para saber mais sobre o impacto dos juros na economia doméstica, visite nossa seção de Economia e acompanhe análises detalhadas.

O comprometimento de renda das famílias alcança patamar histórico, sinalizando atenção redobrada a juros, crédito e mercado de trabalho. Continue acompanhando o Diário de Finanças para receber atualizações e orientações sobre como proteger seu orçamento.



“`

Scroll to Top