Bitcoin 2025 começou o ano cercado de projeções ousadas, mas terminou abaixo das expectativas: a criptomoeda recua cerca de 7% em dólares, negociada perto de US$ 87 mil, após ter tocado o recorde de US$ 126 mil em outubro.
Analistas atribuíram o otimismo inicial ao chamado “efeito Trump”. No fim de 2024, a vitória do republicano estimulou a procura por ativos de maior risco e levou casas de pesquisa a prever preços entre US$ 130 mil e US$ 250 mil, com US$ 200 mil vistos como alvo plausível.
Bitcoin 2025: efeito Trump e aversão a risco derrubam preços
Logo após a posse do novo presidente dos Estados Unidos, o mesmo efeito começou a operar na direção oposta. Medidas inesperadas na política comercial americana elevaram a incerteza global, fomentaram a aversão a risco e pressionaram ativos voláteis durante boa parte de 2025.
Expectativas altas, realidade fria
No início do ano, o fluxo de capital de longo prazo e o interesse institucional sustentavam a tese de um novo ciclo de alta. Além do potencial dos ETFs de cripto, a expectativa era de que as altcoins também disparassem, inaugurando uma “altseason”. Entretanto, o movimento perdeu força ainda no segundo trimestre.
Embora Wall Street tenha revertido parte das perdas a partir de julho, o mercado cripto não acompanhou. Em outubro, o Bitcoin renovou a máxima histórica, mas perdeu 30% desde então. Em reais, a desvalorização chegou a 17%, impactada pela queda do dólar, fechando o ano a R$ 482 mil.
Altcoins sofrem mais
Entre os principais tokens, as perdas foram ainda maiores. O Ethereum, que alcançou US$ 5 mil em agosto, recuou 40% desde o pico e 11% no ano. A Solana caiu 55% frente ao recorde de US$ 293 registrado em janeiro, somando baixa de 34% em 2025.
Três obstáculos decisivos
Para Rony Szuster, analista-chefe do Mercado Bitcoin, a frustração se explica por três fatores: regulação, fluxo de investimento e ambiente macroeconômico.
Regulação: a aprovação do Genius Act, que disciplina stablecoins nos EUA, foi um passo positivo, mas o aguardado Market Clarity Act — visto como catalisador para DeFi — não avançou, adiando estímulos ao setor.
Fluxo: grandes carteiras e ETFs compraram agressivamente no primeiro semestre, mas o ritmo arrefeceu, enquanto investidores antigos aproveitaram para realizar lucros, ampliando a oferta.
Macroeconomia: o Federal Reserve cortou juros três vezes, abaixo do esperado. A liquidez criada não bastou para sustentar um rali até a faixa entre US$ 150 mil e US$ 200 mil projetada pelos cenários otimistas.
Imagem: Divulgação
Avanços estruturais em 2025
Apesar da queda nos preços, o ano marcou avanços na infraestrutura cripto. Guilherme Bissoli, da Coins.xyz, afirma que o setor “saiu do modo experimento e entrou no modo sistema financeiro”. No Brasil, resoluções do Banco Central detalharam o regime das VASPs, exigindo capital mínimo, governança e segregação de ativos, aproximando exchanges das regras aplicadas a instituições financeiras tradicionais.
O uso de stablecoins em pagamentos, liquidação e câmbio ganhou destaque, enquanto empresas menores enfrentam consolidação por falta de requisitos regulatórios e integração com Pix, TED ou Drex.
Mudança no perfil dos detentores
Dados da Binance mostram que, em dezembro, o volume de Bitcoins mantido em exchanges caiu ao menor nível em cinco anos, 2,94 milhões de BTC. Em paralelo, participações de empresas listadas e de ETFs ultrapassam 2,5 milhões de BTC. Para Guilherme Nazar, vice-presidente da corretora na América Latina, a migração para mãos institucionais pode reduzir volatilidade e suavizar futuros mercados de baixa.
Ajuste de meio de ciclo
Relatório da gestora europeia 21Shares classifica 2025 como um ano de consolidação ordenada, não de pânico. Segundo o estudo, a adoção de ETFs e o aumento da participação de grandes investidores começam a desconectar o desempenho do Bitcoin do tradicional ciclo de quatro anos pós-halving, tornando o ativo mais sensível à política monetária e à liquidez global.
Perspectivas
Especialistas concordam que ciclos mais maduros tendem a gerar altas menos explosivas, porém mais sustentáveis. Para 2026, a expectativa se concentra no avanço regulatório pendente, na resposta do Fed a novos dados de inflação e na manutenção do fluxo institucional.
Em síntese, 2025 frustrou a busca por ganhos rápidos, mas consolidou pilares que podem sustentar o amadurecimento do mercado cripto.
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