TCU inspeciona liquidação do Banco Master após abrir, nesta sexta-feira (2/1/2026), um processo para analisar a documentação mantida pelo Banco Central (BC) sobre a intervenção na instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro. A corte de contas determinou que sua área técnica conclua o exame em até 30 dias e remeta o resultado ao ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso.
O presidente do Tribunal de Contas da União, ministro Vital do Rêgo, informou que, mesmo durante o recesso, equipes de plantão em todas as secretarias conduzirão os trabalhos. Vital encontra-se em João Pessoa (PB), e o retorno integral das equipes está previsto para 17 de janeiro.
TCU inspeciona liquidação do Banco Master em 30 dias
Segundo Vital do Rêgo, o Banco Central enviou apenas uma nota técnica com justificativas para a liquidação extrajudicial, sem anexar os documentos que embasaram a decisão. Por esse motivo, o relator solicitou esclarecimentos adicionais. “O BC afirma ter provas suficientes, nós respeitamos, mas queremos conhecer todos os fundamentos para nos posicionarmos”, declarou o presidente do TCU.
Motivos da inspeção
Entre os pontos levantados na nota técnica, o BC relatou ter acionado o Ministério Público Federal após identificar indícios de crimes na gestão do Banco Master, mas não detalhou as suspeitas nem apresentou comprovação documental. A inspeção, já autorizada pela autoridade monetária, será conduzida in loco por uma comissão designada pelo relator, que terá acesso direto aos arquivos na sede do BC.
Prazos e possíveis impactos
O ministro Jhonatan de Jesus pretende aguardar a conclusão da vistoria antes de qualquer decisão jurídica. O prazo inicial é de 15 dias, prorrogável por igual período. Agentes do mercado temem que uma liminar suspendendo a liquidação prejudique o pagamento de títulos de renda fixa garantidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e gere instabilidade no sistema financeiro. O relator, no entanto, sinalizou a interlocutores que não concederá medida cautelar antes de avaliar o parecer técnico e o posicionamento do Ministério Público junto ao TCU.
Preocupação com investidores
A corte de contas quer confirmar se a liquidação foi a alternativa mais adequada. Há receio de que a venda dos ativos do banco gere perdas futuras a investidores. O processo tramita em sigilo por envolver dados bancários protegidos pela Constituição, e ministros evitam comentar detalhes. Internamente, há divergências sobre a medida adotada pelo BC.
Histórico do Banco Master
A atuação do Banco Master chamou atenção a partir do segundo semestre de 2024, quando passou a oferecer retornos muito acima do mercado. A situação se agravou após o anúncio, em março de 2025, da venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB). Antes mesmo das negociações, o BRB adquiriu carteiras de crédito do Master no valor de R$ 12,7 bilhões. Em setembro de 2025, o BC rejeitou a operação ao detectar irregularidades nessas carteiras.
Imagem: Valter Campanato
Em novembro de 2025, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. O caso também se tornou alvo da Operação Compliance Zero da Polícia Federal e passou a tramitar no Supremo Tribunal Federal (STF).
Com a inspeção agora em curso, o TCU tentará esclarecer se houve falhas no processo decisório e se a medida extrema aplicada à instituição de Vorcaro era, de fato, inevitável. Até que o relatório seja finalizado, o mercado segue atento aos desdobramentos e ao posicionamento do tribunal.
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Resumo: o TCU deu 30 dias para auditar documentos do BC sobre a liquidação do Banco Master, buscando confirmar a suficiência das provas e os impactos para investidores. Continue acompanhando nossas atualizações e receba as últimas notícias do mercado financeiro.



