Prefeito de Turilândia preso: áudio expõe desvio de R$ 56 mi -

Prefeito de Turilândia preso: áudio expõe desvio de R$ 56 mi

Prefeito de Turilândia preso, Paulo Curió foi flagrado em um áudio reclamando do limite de R$ 10 mil do cartão de crédito de uma empresa contratada pela própria prefeitura, enquanto o Ministério Público do Maranhão (MP-MA) aponta que ao menos R$ 56 milhões foram desviados dos cofres municipais.

Na gravação, o gestor ironiza o valor: “Dez mil reais não dá pra nada, isso não é cartão de crédito de prefeito, não. É fraco”. A mensagem integra o material obtido durante interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça, base de uma operação que, na semana do Natal, levou à prisão de 21 pessoas, entre elas o prefeito, a primeira-dama Eva Curió, a ex-vice-prefeita Janaína Soares Lima e todos os 11 vereadores da cidade.

Prefeito de Turilândia preso: áudio expõe desvio de R$ 56 mi

De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do MP-MA, o esquema começou em 2021, primeiro ano de mandato de Paulo Curió. Os investigadores descrevem uma engrenagem composta por empresas de fachada, notas fiscais frias, propina e fraudes em licitações.

Fraudes em 95% das licitações

A pregoeira do município, também alvo da operação, afirmou em mensagem interceptada que “95% das licitações” eram simuladas. Em outro áudio, ela pede “um presente de Natal” — uma caneta emagrecedora — como recompensa por manipular o resultado de um certame para construção de estrada vicinal.

Segundo o MP-MA, empresários chegavam a receber 18% do valor contratado por serviços não executados. Outros 3% ficariam com o então controlador-geral do município, Wandson Barros, apontado como operador financeiro. O restante retornava para o prefeito. Em conversa captada, Curió afirma que “vai ter uma sobra mensal de uns dois a dois e meio”, referência a R$ 2 milhões a R$ 2,5 milhões que, conforme os promotores, eram distribuídos como propina.

Posto de combustível deu início ao esquema

O ponto de partida da fraude, revela a investigação, foi um posto de combustíveis de propriedade de Janaína Soares Lima, ex-vice-prefeita, e do marido dela. Entre 2021 e 2023, o estabelecimento celebrou 58 contratos com a prefeitura e recebeu mais de R$ 17 milhões. O montante permitiria, segundo cálculo do MP-MA, que cada um dos dez veículos oficiais rodasse 790 quilômetros por dia — distância equivalente a uma viagem diária de ida e volta entre São Luís e Porto Alegre.

Pobreza contrasta com patrimônio de luxo

Enquanto os contratos inflados drenavam recursos públicos, índices do IBGE mostram que três em cada quatro moradores de Turilândia não têm acesso a esgoto adequado. Imagens registradas durante as buscas judiciais exibem imóveis de alto padrão ligados ao casal Curió, incluindo uma casa avaliada em R$ 3,7 milhões na capital São Luís, cuja porta foi arrombada pela polícia.

Também foram apreendidos grandes volumes de dinheiro em espécie. Para os promotores, parte desses valores servia para pagar parcelas de um empréstimo com um agiota que, segundo a investigação, é neurocirurgião e financiou a campanha eleitoral de 2020.

Poder paralisado e solução inédita

Com prefeito, vice, primeira-dama e todos os vereadores detidos, a Justiça autorizou que os parlamentares despachem em prisão domiciliar, monitorados por tornozeleira eletrônica e proibidos de se comunicar entre si, exceto em decisões de urgência. Na prática, os gabinetes ficaram vazios no primeiro dia útil de 2026. Em frente à sede do Executivo, apenas um vigia confirmava: “Só tem eu mesmo”.

O que dizem os envolvidos

A defesa de Paulo Curió e de Eva Curió declarou que ambos permanecem à disposição da Justiça e confiam no respeito às garantias constitucionais. Os advogados de Wandson Barros afirmam acreditar que a análise imparcial das provas demonstrará a inocência do ex-controlador. Até o momento, os demais citados não se pronunciaram publicamente.

Para o promotor Fernando Berniz, o caso é “aviltante”: “O dinheiro destinado a saneamento, saúde e educação estava sendo desviado para deleite pessoal”. Uma moradora resumiu o sentimento local ao comentar o escândalo: “Muito errado. Uma cidadezinha humilde assim… Eles não têm vergonha”.

Com a investigação em curso e os principais agentes políticos afastados, Turilândia aguarda os próximos passos da Justiça para retomar, ainda que parcialmente, a normalidade administrativa.

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Em resumo, o áudio que expôs o limite “insuficiente” do cartão revelou muito mais: escancarou um esquema que, segundo o MP-MA, drenou R$ 56 milhões de uma das cidades mais carentes do Maranhão. Continue acompanhando nossos conteúdos e compartilhe esta notícia para que mais pessoas conheçam a importância da fiscalização dos recursos públicos.

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