Fraude no Banco Master rivaliza com Americanas em tempo destaca-se como o novo símbolo de irregularidades bilionárias no país. Em apenas quatro anos de gestão de Daniel Vorcaro, o Banco Master alcançou um rombo estimado em R$ 23,7 bilhões, valor que se aproxima dos R$ 25 bilhões atribuídos à varejista Americanas, mas construído em metade do tempo.
As investigações conduzidas pelo Banco Central (BC) apontam para dois esquemas principais: a venda de carteiras supostamente falsas ao Banco de Brasília (BRB) e a concessão de empréstimos de fachada a 36 empresas que, em seguida, aplicavam recursos em fundos administrados pela gestora Reag. Os processos seguem agora no Ministério Público Federal (MPF).
Fraude no Banco Master rivaliza com Americanas em tempo
Comparação de valores e velocidade
Na Americanas, a manipulação contábil foi praticada por pelo menos uma década e revelada em 11 de janeiro de 2023, quando o então CEO Sérgio Rial comunicou “inconsistências” de R$ 20 bilhões que, mais tarde, subiram para R$ 25 bilhões. Já o Banco Master, adquirido por Vorcaro em 2019 — ainda como Banco Máxima — e rebatizado em 2021, estruturou fraudes que somam R$ 23,7 bilhões em tempo recorde, segundo o BC.
Dois esquemas distintos
O primeiro núcleo de irregularidades envolve a cessão ao BRB de carteiras de crédito supostamente infladas ou inexistentes, avaliadas em R$ 12,2 bilhões. A prática teria garantido liquidez artificial à instituição de Vorcaro, que captava recursos por meio de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
No segundo núcleo, o Master liberava empréstimos fictícios a dezenas de empresas. Na sequência, as mesmas companhias investiam montantes equivalentes em fundos da Reag, alvo da Operação Carbono Oculto, que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no mercado formal. Por meio de ativos ilíquidos registrados a valores superestimados, o dinheiro circulava, era “lavado” e retornava ao banco.
Impacto sobre investidores
Milhões de pequenos poupadores foram atingidos nos dois escândalos. Na Americanas, debenturistas minoritários receberam pagamento integral no processo de recuperação judicial, mas acionistas viram seus papéis virarem pó e o mercado de crédito privado travou no primeiro semestre de 2023.
No Master, a maioria dos aplicadores em CDBs terá cobertura de até R$ 250 mil por CPF, conforme a regra do FGC. Contudo, esses investidores ficarão sem rendimento entre a liquidação extrajudicial, decretada em novembro de 2025, e a data efetiva do ressarcimento — um prejuízo indireto que não será compensado.
Diferenças de contexto
O caso Americanas limitou-se ao foro privado, com balanços maquiados e contratos fictícios de verbas publicitárias. Ainda que sob a influência dos controladores Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, as fraudes ocorreram “da porta para dentro”.
Imagem: Divulgação
Já o Banco Master, segundo indícios reunidos pelas autoridades, teria contado com apoio de uma rede de contatos nos Três Poderes em Brasília, facilitando operações e retardando a intervenção regulatória. A atuação do BC só ganhou força após sucessivos alertas do setor privado sobre o uso de precatórios como lastro e a emissão de CDBs cobertos pelo FGC.
Desfaçatez e repercussão
Especialistas destacam a “desfaçatez” do esquema montado por Vorcaro. Enquanto a revelação da fraude na Americanas surpreendeu pelo tamanho, o colapso do Master não causou espanto no mercado, que já acompanhava sinais de risco elevado na instituição. Mesmo assim, detalhes divulgados diariamente impressionam pela ousadia das operações.
A liquidação extrajudicial do banco marca um capítulo ainda em aberto. Além das providências criminais, o BC estuda mudanças adicionais nas regras de captação lastreada no FGC e na contabilização de precatórios, tentando evitar novos rombos de grandes proporções em curto período.
Com paralelos inevitáveis, o escândalo do Banco Master reforça a necessidade de controles rigorosos e supervisão constante, tanto no âmbito privado quanto na interface com o setor público.
Para acompanhar outras análises sobre economia e mercado financeiro, visite a seção dedicada em nosso portal de Economia.
Em resumo, o Banco Master reproduziu em poucos anos um prejuízo que levou uma década para ser gestado na Americanas, expondo fragilidades regulatórias e riscos para investidores. Continue informado e compartilhe esta notícia.



