Protestos no Irã se intensificam após ameaça de Trump -

Protestos no Irã se intensificam após ameaça de Trump

Protestos no Irã entraram na terceira semana sob relatos de violência crescente, que o governo em Teerã atribui diretamente às ameaças de intervenção feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou nesta segunda-feira (12) que a situação está “sob controle total” depois de um fim de semana marcado por confrontos letais. Segundo ele, o alerta de Trump, de que “agiria” caso os atos se tornassem sangrentos, encorajou “terroristas” a atacar manifestantes e forças de segurança para provocar uma ação militar norte-americana.

Protestos no Irã se intensificam após ameaça de Trump

A declaração de Araqchi ocorreu menos de 72 horas após Trump dizer a repórteres, na Casa Branca, que “vai atingir o Irã com muita força onde mais dói” se o regime começar a matar civis. O republicano já havia feito ameaças semelhantes em 2 de janeiro, pela rede Truth Social, e voltou a reforçá-las no sábado (10), defendendo que os iranianos “buscam liberdade” e que os EUA estariam “prontos para ajudar”.

Escalada da violência

De acordo com o grupo de direitos humanos HRANA, sediado nos EUA, 538 pessoas morreram desde o início das manifestações, incluindo 490 manifestantes e 48 policiais. A organização também contabiliza mais de 10.670 prisões até domingo (11). Outros observatórios independentes relatam número de vítimas semelhante, mas ressaltam que o corte de internet determinado pelo líder supremo Ali Khamenei dificulta a checagem de dados em tempo real.

O chefe da polícia nacional, Ahmad-Reza Radan, declarou que as forças de segurança “escalaram o nível de confronto”, enquanto a Guarda Revolucionária reiterou que proteger a segurança interna “não é negociável”.

Advertências da Casa Branca e possível acordo nuclear

Sobrevoando o Atlântico, a bordo do Força Aérea Um, Donald Trump afirmou neste domingo (11) que Teerã “quer negociar” um novo acordo nuclear depois das recentes ameaças. O presidente, no entanto, alertou que poderá agir antes de um encontro, citando o aumento no total de mortos. Segundo Trump, “o Irã está cansado de apanhar dos Estados Unidos”.

Em 2017, o republicano retirou Washington do pacto que restringia as atividades nucleares iranianas em troca do alívio de sanções. Nos anos seguintes, Teerã retomou o enriquecimento de urânio acima dos limites para uso civil, e, em junho de 2025, instalações de pesquisa foram bombardeadas pelos EUA durante uma escalada regional envolvendo Israel.

Mortes e detenções

Com a internet ainda bloqueada em grande parte do país, o governo iraniano evita publicar números oficiais de mortos e feridos. Organizações locais afirmam que tropas usaram munição real contra multidões nas cidades de Teerã, Mashhad e Isfahan. Vídeos verificados por agências internacionais mostram veículos incendiados e tiros de fuzil em áreas residenciais.

Araqchi disse que o serviço de internet será restabelecido “em coordenação com as autoridades de segurança”. O chanceler acrescentou que o presidente Masoud Pezeshkian tenta abrir um “canal de diálogo” com manifestantes, mas pediu à população que se distancie de “terroristas e badernistas”.

Resposta do governo iraniano

Pezeshkian acusou Estados Unidos e Israel de “semear caos” no país e advertiu que qualquer ataque externo gerará retaliação contra “territórios ocupados” e bases militares norte-americanas na região, segundo o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf. A Guarda Revolucionária destacou que considera esses alvos “legítimos” em caso de agressão.

Risco regional e contatos diplomáticos

Fontes da agência Reuters informaram que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, discutiu no sábado (10) com o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, a possibilidade de uma ação conjunta. No mesmo dia, Trump reafirmou que poderá intervir se manifestações pacíficas forem reprimidas com força letal.

Apesar do clima de tensão, Araqchi declarou que Teerã está “pronto para a guerra, mas também para o diálogo”, deixando em aberto uma eventual reunião para discutir o programa nuclear e o futuro das sanções econômicas.

Enquanto isso, manifestações continuam em diversas províncias iranianas, alimentadas pela crise econômica e por denúncias de abusos das forças de segurança. Organizações humanitárias pedem acesso ao país para verificar as condições dos detidos e contabilizar o número real de vítimas.

No cenário internacional, cresce a pressão por negociações que evitem um conflito direto. Observadores alertam que nova ofensiva militar poderia afetar rotas de petróleo no Golfo Pérsico e elevar os preços globais da energia.

Com a retomada gradual da internet e a promessa de reabertura de canais oficiais, os próximos dias devem indicar se o governo conseguirá reduzir a violência nas ruas sem intensificar o confronto com Washington.

Para acompanhar como as tensões no Oriente Médio podem influenciar mercados e investimentos globais, confira a seção de Economia do Diário de Finanças.

Resumo: a crise no Irã combina forte repressão interna, ameaça de intervenção dos EUA e risco de escalada regional. Mantenha-se informado e compartilhe esta notícia.

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