Empréstimos suspeitos do Banco Master motivaram o Banco Central (BC) a relacionar 36 empresas que teriam recebido créditos fictícios, supostamente usados para desviar R$ 11,5 bilhões por meio de fundos de investimento administrados pela Reag.
De acordo com o relatório obtido pelo Valor, as companhias listadas são majoritariamente de pequeno porte, algumas com capital social inferior a R$ 1 mil, mas cada uma concentrou operações que se aproximam de R$ 500 milhões. A maior beneficiária foi a Brain Realty, que registrou empréstimo de R$ 449,36 milhões.
Empréstimos suspeitos do Banco Master: veja 36 empresas
O BC aponta que boa parte dos envolvidos atua na construção civil e foi constituída recentemente. Também aparecem nomes dos setores de alimentos, hotelaria, importação e exportação. O levantamento indica, em certos casos, sócios em comum entre as empresas.
Principais valores e mudanças societárias
A Brain Realty, presidida por uma ex-funcionária da Reag, ampliou seu capital de R$ 100 para R$ 2,2 milhões em 26 de dezembro de 2023, pouco antes de captar os quase R$ 450 milhões. Já a Super Empreendimentos e Participações investiu em imóveis de alto padrão, incluindo a mansão de R$ 36 milhões em Brasília onde Daniel Vorcaro, controlador do Master, recebia políticos e autoridades.
Respostas das empresas citadas
Bloko CP e Bloko Urbanismo afirmam que as captações são práticas comuns no setor imobiliário e que sempre atuaram em estrito cumprimento das normas.
Daus Indústria Alimentícia diz ter mantido recursos em fundos da Reag até outubro de 2023 e que encerrou o negócio após a Operação Carbono Oculto.
Lever Securitizadora declara que não concede nem toma empréstimos, atuando apenas na estruturação de CRIs e CRAs, e nega qualquer operação fictícia.
RKO Alimentos informa não possuir operações em aberto com o Banco Master.
SI 02 Empreendimentos e Incorporações afirma não se enquadrar nas acusações relatadas.
Távira Emprendimentos Imobiliários ressalta que seu negócio é voltado ao mercado imobiliário e que não possui vínculo com o Master ou com a Reag.
Imagem: Victor Moriyama
WAM Hotéis e Resorts / WAM Hotéis Multipropriedades nega envolvimento em qualquer esquema ilícito, indicando faturamento anual superior a R$ 1 bilhão e operações em oito estados.
iFLY esclarece não ter relação societária ou operacional com o Banco Master ou a CSBF DTVM (ex-Reag Trust) e que todas as captações seguiram condições normais de mercado.
Empresas sem resposta
Não retornaram ou não foram localizadas pela reportagem: BMQ Mirage; BTG Empreendimentos, Locações e Serviços; Calisto Empreendimentos; CRL SPE I; CRL SPE X; EBN Comércio, Importação e Exportação; FDC Empreendimentos; Gran Viver Urbanismo; Gran Carnes; Griffood Brasil Alimentos; Lorde Participações; Malibu Construtora; MKS Soluções; R2 Holding; Redevco Capital Partners; Renogrid Energia; Revee Real Estate; Revolution do Brasil Adaptação Veicular; RMEX Construtora; S&J Consultoria e Incorporação; SPE Resort do Lago Caldas Novas; SPE Mirante Investimentos Imobiliários; Terravista Boutique Empreendimentos Imobiliários; W 50 Empreendimentos Imobiliários.
Próximos passos da investigação
O Banco Central segue apurando a origem dos recursos e a participação de gestores na montagem dos supostos créditos fictícios. A Reag, administradora dos fundos D Mais e Bravo — onde as 36 empresas teriam aportado valores —, permanece no centro das verificações.
Enquanto isso, as companhias citadas reiteram estar à disposição das autoridades. Qualquer penalidade dependerá da confirmação das irregularidades e da extensão das responsabilidades individuais e institucionais.
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Este resumo apresenta os principais pontos da investigação que liga o Banco Master a empréstimos considerados fictícios. Continue a acompanhar nossas atualizações e compartilhe a matéria para manter mais pessoas informadas.



