Von der Leyen critica tarifas dos EUA e protege Groenlândia -

Von der Leyen critica tarifas dos EUA e protege Groenlândia

Von der Leyen critica tarifas dos EUA e protege Groenlândia — a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou nesta terça-feira (20) que a soberania da ilha ártica é “inegociável” e classificou como “erro estratégico” a ameaça de novas tarifas anunciada pelo governo dos Estados Unidos.

O pronunciamento ocorreu durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, quatro dias após o presidente norte-americano Donald Trump divulgar que aplicará tarifa de 10% a oito países europeus, a partir de 1º de fevereiro de 2026, caso a União Europeia se oponha ao plano de compra da Groenlândia, território autônomo pertencente à Dinamarca.

Von der Leyen critica tarifas dos EUA e protege Groenlândia

Tensão no Ártico

Sem citar diretamente a Casa Branca, Von der Leyen advertiu que pressões unilaterais entre aliados históricos enfraquecem a segurança coletiva do Ártico. “A estabilidade do extremo norte depende de cooperação, não de tarifas”, afirmou, reiterando apoio irrestrito da União Europeia ao governo dinamarquês e aos 56 mil habitantes da ilha.

A líder europeia lembrou que Washington e Bruxelas firmaram um acordo comercial em julho de 2025. Segundo ela, romper compromissos assinados “apenas fortalece adversários estratégicos” que buscam explorar rivalidades no Ocidente.

Resposta coordenada da União Europeia

No domingo (18), representantes dos 27 Estados-membros se reuniram em Bruxelas para discutir uma reação conjunta ao agravamento das tensões diplomáticas e militares na região. O encontro extraordinário, convocado pela presidência rotativa do bloco, atualmente exercida pelo Chipre, resultou em apoio político e logístico à Dinamarca.

Países como Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda anunciaram o envio de pequenos contingentes militares à Groenlândia, atendendo a solicitação de Copenhague. Em comunicado conjunto, essas nações ressaltaram compromisso com a defesa da integridade territorial da ilha e com o fortalecimento da segurança ártica no âmbito da Otan.

A posição dos Estados Unidos

Donald Trump sustenta que a Groenlândia possui localização estratégica e reservas minerais cruciais para a segurança norte-americana. Ao anunciar a tarifa de 10%, o presidente não descartou “qualquer opção”, inclusive o uso da força, caso a proposta de compra seja recusada, declaração que elevou os alertas em capitais europeias.

Autoridades em Washington argumentam que a medida tarifária seria uma forma de “compensar custos de defesa” e “estimular negociações”. Bruxelas, por sua vez, interpreta a iniciativa como tentativa de pressionar aliados por meio de barreiras comerciais.

Acordo UE-Mercosul como contraponto

Em Davos, Von der Leyen aproveitou para destacar a assinatura do acordo de livre-comércio entre União Europeia e Mercosul, concretizado no sábado (17) em Assunção. O tratado, que reúne 31 países e cerca de 700 milhões de consumidores, foi apresentado como prova de que “parcerias e comércio justo superam tarifas e isolamento”.

Von der Leyen critica tarifas dos EUA e protege Groenlândia - Imagem do artigo original

Imagem: Divulgação

Para a presidente da Comissão Europeia, o pacto com a América do Sul reforça a diversificação de cadeias globais de suprimentos e ajuda o bloco a reduzir dependências externas. Ela enfatizou que o texto está alinhado ao Acordo de Paris e demonstra que crescimento econômico pode andar de mãos dadas com sustentabilidade.

Próximos passos

A União Europeia aguarda sinalização formal dos Estados Unidos antes de adotar contramedidas. Entre as opções discutidas estão contestação na Organização Mundial do Comércio, aplicação de tarifas de retaliação e intensificação de cooperação militar no Ártico.

Enquanto isso, líderes europeus manterão diálogo com Washington para tentar evitar escalada. “Quando amigos apertam as mãos, isso precisa significar algo”, concluiu Von der Leyen em Davos, reforçando a disposição do bloco em negociar, mas não em ceder sobre a soberania da Groenlândia.

Acompanhe as próximas atualizações sobre as negociações EUA-UE e os desdobramentos no Ártico.

Se você quer entender como movimentações políticas afetam mercados globais, confira também nossa análise na seção de Economia.

Resumo: Ursula von der Leyen rechaçou tarifas propostas pelos EUA e reiterou que a Groenlândia não está à venda. Continue acompanhando o Diário de Finanças para receber alertas em tempo real sobre política internacional e economia.

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