Produção da agroindústria brasileira caiu 0,3% em novembro de 2025 ante o mesmo mês de 2024, segundo o Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro) divulgado pela FGVAgro. O resultado reflete a desaceleração econômica provocada pela política monetária contracionista do Banco Central e pelas incertezas externas, como as tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos.
O levantamento mostra que, mesmo com desempenho positivo dos alimentos, os demais segmentos puxaram a agroindústria para terreno negativo, indicando um cenário desafiador para o fechamento do ano.
Produção da agroindústria recua 0,3% em novembro
Na decomposição por setores, apenas Produtos Alimentícios registraram alta, avançando 4% em comparação anual. Essa expansão atenuou a queda global do índice. Em contrapartida, Produtos Não Alimentícios recuaram 3,6%, enquanto o segmento de Bebidas caiu 4,2%.
Impacto da política monetária e do cenário externo
De acordo com a FGVAgro, a combinação de juros elevados no mercado doméstico e o ambiente internacional marcado por barreiras comerciais reduziu o ritmo de produção. As tarifas adotadas pelos Estados Unidos, ainda não totalmente revogadas, continuam a limitar a recuperação do setor exportador.
Desempenho acumulado no ano
Entre janeiro e novembro, a produção agroindustrial acumula variação negativa de 0,2% frente ao mesmo período de 2024. Para encerrar 2025 no azul, seria necessário crescimento mínimo de 2,2% em dezembro.
Perspectivas para dezembro
O relatório observa que o resultado de novembro não elimina a possibilidade de reversão das perdas no ano, mas ressalta que os efeitos da possível remoção definitiva das tarifas norte-americanas ainda não se materializaram plenamente.
Imagem: José Paulo Lacerda José Paulo Lacerda
A FGVAgro aponta que, além da questão comercial, a normalização da política monetária interna será decisiva para impulsionar investimentos e ampliar a capacidade produtiva da agroindústria em 2026.
Resumo: o recuo de 0,3% em novembro expõe a fragilidade de parte da cadeia agroindustrial, apesar da resiliência do segmento alimentício. O dado reforça a importância de acompanhar as próximas decisões de política econômica e os desdobramentos no comércio exterior.
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