Fed deve manter juros inalterados nesta quarta-feira, mesmo sob forte pressão política, e tende a balizar as escolhas de outros bancos centrais importantes, segundo expectativa dominante no mercado.
O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) encerra hoje uma reunião de dois dias e, de acordo com analistas, deverá ignorar os apelos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por cortes imediatos nos custos de financiamento. A decisão ocorre em meio a um ambiente global de incertezas que também atinge as autoridades monetárias de Brasil, Canadá e Suécia, igualmente inclinadas a manter suas atuais taxas básicas.
Fed deve manter juros inalterados e liderar bancos globais
Desde o início do mandato, Trump vem criticando o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, pelo ritmo considerado tímido de afrouxamento monetário. Além das manifestações públicas, a Casa Branca elevou a pressão institucional: um grande júri expediu intimações que podem resultar em acusações criminais contra integrantes do banco, enquanto a Suprema Corte analisa se o presidente americano tem poder para demitir a diretora Lisa Cook.
Em resposta, mais de uma dúzia de presidentes de bancos centrais — entre eles Roberto Campos Neto (Banco Central do Brasil), Tiff Macklem (Banco do Canadá) e Erik Thedéen (Riksbank, da Suécia) — declararam apoio explícito a Powell, defendendo a independência das autoridades monetárias. A solidariedade inclui nomes de peso como Andrew Bailey, do Banco da Inglaterra, e Christine Lagarde, do Banco Central Europeu.
Para a Bloomberg Economics, a coesão interna do Fed deve ser decisiva. Os economistas Anna Wong, Stuart Paul, Eliza Winger, Chris G. Collins, Alex Tanzi e Troy Durie avaliam que “a maioria dos participantes do FOMC pode recorrer aos dados para justificar a manutenção dos juros”. Segundo eles, os votos de Christopher Waller e Michelle Bowman merecem atenção: se ambos acompanharem a maioria, reforçarão a mensagem de apoio a Powell. A projeção da consultoria é de adesão de Waller e possível dissidência de Bowman.
Além da disputa política, o Fed também monitora sinais de inflação. Embora o crescimento americano mostre resiliência, o receio é de que tarifas comerciais e gargalos de oferta pressionem preços. Mesmo assim, a leitura predominante é de que não há urgência para mexer nos Fed funds, atualmente fixados na faixa de 5,25% a 5,50% ao ano.
No cenário internacional, 18 bancos centrais têm reuniões agendadas para a próxima semana. Enquanto as economias avançadas devem manter postura cautelosa, países africanos, em estágio diferente do ciclo, cogitam novo afrouxamento monetário. A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, resumiu o clima em Davos: “Vivemos em um mundo mais sujeito a choques. Não estamos mais no Kansas”.
A volatilidade recente dos mercados japoneses, a preocupação dos investidores com eventuais avanços dos planos americanos sobre a Groenlândia e ameaças de novas barreiras comerciais reforçam o alerta dos formuladores de política monetária. Para muitos, o Fed continua sendo o referencial global: qualquer sinal de mudança em Washington pode reverberar em escala planetária.
Imagem: Al Drago
Na lista de indicadores monitorados, destacam-se os dados de inflação de Austrália, Brasil e Japão, os lucros industriais da China e o Produto Interno Bruto da zona do euro. Esses números ajudarão a calibrar as decisões que virão após o veredicto do FOMC.
Se confirmada a manutenção dos Fed funds, o mercado seguirá atento à coletiva de Powell, prevista para o início da tarde. Investidores buscarão pistas sobre o balanço de riscos, o cronograma de eventuais reduções e a leitura da autoridade sobre o impacto da política fiscal nos Estados Unidos.
No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) reúne-se apenas em março, mas a expectativa de estabilidade hoje em Washington reforça a avaliação de que a Selic deve permanecer em 11,75% ao ano. Analistas acreditam que o Banco Central brasileiro só voltará a cortar juros se o processo desinflacionário avançar sem sobressaltos.
À medida que a tensão política se mistura a preocupações econômicas, o consenso entre especialistas é de que a manutenção do atual patamar de juros pelo Fed representará um breve momento de estabilidade em um cenário ainda marcado por incertezas globais.
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Resumindo: o Federal Reserve deve manter os juros inalterados, resistindo às pressões da Casa Branca, enquanto bancos centrais de diversos países acompanham de perto cada passo da autoridade americana. Continue acompanhando nossas atualizações e receba em primeira mão as principais notícias que mexem com o mercado.



