Emissões externas continuarão sendo prioridade da Secretaria do Tesouro Nacional em 2026, mesmo com o calendário eleitoral, afirmou o secretário Rogério Ceron nesta quarta-feira (28).
Ao apresentar os dados da Dívida Pública Federal (DPF), Ceron destacou que investidores estrangeiros encaram o processo eleitoral brasileiro como “institucionalmente estável” e, por isso, não veem necessidade de reduzir a exposição ao mercado local neste período.
Emissões externas seguirão apesar da eleição, diz Tesouro
“Na minha leitura, a eleição não tem sido, nem será, impeditivo para a execução da estratégia no mercado externo”, declarou o secretário em coletiva de imprensa. Segundo ele, a percepção de risco político entre compradores internacionais de títulos brasileiros é hoje “muito mais serena” do que em anos anteriores.
Volume de 2026 deve superar 2025
O subsecretário da dívida pública, Daniel Cardoso Leal, acrescentou que o Tesouro pretende, no mínimo, repetir o volume de captações externas realizado em 2025. A programação inclui janelas de emissão “próximas ou até mesmo entre um turno e outro” das eleições.
Ceron reforçou que o objetivo é aumentar o peso da dívida externa dentro do estoque total da DPF. A avaliação é que a elevada liquidez nos mercados internacionais cria ambiente favorável para operações “mais agressivas, frequentes e intensas”, principalmente em dólar.
Ele adiantou que 2026 deverá registrar emissões mais recorrentes nos Estados Unidos, aproveitando o menor custo cambial. Paralelamente, o Tesouro planeja tornar permanentes as ofertas em euro no mercado europeu e prepara uma emissão inaugural em yuan para testar o apetite de investidores na China.
Diversificação de moedas e prazos
Além de dólar, euro e yuan, outros mercados estão em análise. “Queremos desenvolver uma curva de referência no Velho Continente e, ao mesmo tempo, avaliar oportunidades em novas praças”, disse Ceron. No âmbito doméstico, está no radar a possibilidade de alongar prazos de NTN-F, embora ainda sem confirmação.
A diversificação, segundo o secretário, ajuda a diluir riscos e a reduzir o custo médio da dívida. Aproximadamente metade do estoque da DPF está indexada à Selic, o que reforça a importância de fontes de financiamento externas para mitigar o impacto da política monetária interna.
Imagem: Divulgação
Dívida cresce com custo de financiamento
O Relatório Mensal da Dívida mostrou que o estoque da DPF avançou 18% em 2025, alcançando R$ 8,635 trilhões em dezembro — o maior salto desde 2015. Ceron atribuiu o aumento principalmente às condições de financiamento, e não ao resultado primário.
Apesar de o governo ainda registrar déficit, o secretário avaliou que o quadro fiscal “apresenta melhora consistente” rumo ao equilíbrio. Entre os fatores domésticos que pressionam a curva de juros, ele citou os títulos isentos de impostos. No front externo, a alta das taxas norte-americanas é vista como elemento central para a elevação dos rendimentos globais.
“A taxa de juros nos Estados Unidos subiu de forma relevante. Independentemente do tamanho do superávit, seria difícil observar juros reais inferiores aos praticados lá”, afirmou.
Com essa combinação de variáveis, a equipe econômica considera limitada a margem de manobra interna para reduzir o custo do serviço da dívida, reforçando a estratégia de captação externa e diversificação de moedas.
Mais detalhes sobre a evolução das contas públicas podem ser conferidos na seção de Economia do Diário de Finanças, que traz análises e indicadores atualizados.
Em síntese, o Tesouro Nacional pretende acelerar as emissões externas em 2026 para aproveitar a demanda internacional, ampliar a base de investidores e mitigar pressões sobre a DPF. Continue acompanhando nossas publicações para entender como essas operações impactam o cenário econômico e receber alertas sobre novas emissões e oportunidades de investimento.



