EUA realizam exercícios militares no Oriente Médio sob tensão. As Forças Armadas norte-americanas iniciaram uma série de manobras aéreas de vários dias na região, em meio a novas ameaças do ex-presidente Donald Trump contra Teerã.
O Comando Central das Forças Aéreas dos Estados Unidos (AFCENT) informou na segunda-feira (26) que o treinamento pretende aprimorar a capacidade de deslocamento rápido de pessoal e aeronaves, operar a partir de locais dispersos e sustentar missões com estrutura mínima.
EUA realizam exercícios militares no Oriente Médio sob tensão
Segundo o AFCENT, o exercício também demonstra que os aviadores conseguem gerar missões de combate em condições exigentes, lado a lado com parceiros regionais, mantendo o poder aéreo disponível “quando e onde for necessário”. O órgão não divulgou duração, localização exata nem os recursos empregados.
Trump insiste em pressões e ameaça ação “muito pior”
Na quarta-feira (28), Donald Trump voltou a ameaçar o Irã ao afirmar que uma “armada” ruma ao Golfo e que “o próximo ataque será muito pior” se Teerã não concordar em negociar um “acordo nuclear justo e equitativo”. Em publicação no Truth Social, o ex-presidente alertou: “O tempo está se esgotando”.
Fontes ouvidas pela CNN indicam que Trump ainda avalia quais medidas adotar e que nenhuma decisão definitiva foi tomada. “Temos muitos navios indo naquela direção, só por precaução”, declarou na sexta-feira (23).
Resposta de Teerã: prontidão total e retórica dura
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que as Forças Armadas estão “totalmente preparadas para responder imediata e poderosamente” a qualquer agressão contra território, espaço aéreo ou águas do país. Ainda assim, reiterou disposição para um acordo nuclear “justo e equitativo”.
O vice-chanceler Kazem Gharibabadi disse que “mensagens indiretas estão sendo trocadas” com Washington, mas criticou as ameaças: “Se afirmam querer negociações, devem parar de fazer ameaças”, publicou no X.
Escalada desde a saída dos EUA do acordo de 2015
As tensões nucleares vêm crescendo desde 2018, quando Trump retirou os Estados Unidos do pacto firmado em 2015 e restabeleceu sanções econômicas. A Casa Branca sustenta que Teerã ambiciona fabricar armas nucleares, algo que o governo iraniano nega repetidamente.
O grupo de ataque liderado pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln já chegou à área de responsabilidade do Comando Central, conforme postagem de segunda-feira. Outros aliados dos EUA, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, declararam que não permitirão o uso de seu espaço aéreo para ações ofensivas contra o Irã.
Protestos no Irã elevam a tensão regional
A operação militar ocorre após a repressão a protestos antigoverno no Irã. A HRANA, agência sediada nos EUA, relata 5.800 manifestantes mortos desde o fim do mês passado e aponta outras 17.091 mortes em revisão – números que a CNN não conseguiu verificar de forma independente. Teerã admite “milhares” de vítimas.
Imagem: Reuters
Trump advertiu que poderá intervir se a violência contra manifestantes continuar, mas também sugeriu abertura para diálogo. “O Irã quer conversar”, afirmou na semana passada, sinalizando possível solução diplomática.
Irã exibe cartazes de ameaça a porta-aviões americano
Em Teerã, cartazes governamentais reforçam a retórica. Um painel de quatro andares na Praça Enghelab mostra um porta-aviões dos EUA coberto de corpos com a frase, em inglês e farsi: “Se vocês semearem o vento, colherão a tempestade”. Outro pôster reproduz a captura, em 2016, de um barco da Marinha norte-americana com marinheiros ajoelhados.
Europa avalia sanções e lista de terrorismo
Em Bruxelas, a União Europeia discute novas sanções e a inclusão da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) na lista de organizações terroristas. França, Itália e Israel manifestaram apoio explícito à medida, que será debatida nesta quinta-feira.
Exercícios priorizam segurança e coordenação regional
O CENTCOM ressalta que as manobras contam com autorização dos países anfitriões e seguem coordenação estreita com autoridades de aviação civil e militar, “enfatizando segurança, precisão e respeito à soberania”.
Embora o Irã classifique qualquer ataque como “extremamente complexo e de alto risco” para os adversários, a presença crescente de meios navais e a atividade aérea norte-americana indicam que Washington mantém múltiplas opções militares sobre a mesa.
Com a retórica de ambos os lados em alta e sem sinais concretos de retomada formal das negociações, o cenário no Oriente Médio permanece volátil.
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Os exercícios dos EUA no Oriente Médio mostram que a pressão militar segue como instrumento de Washington para levar Teerã de volta à mesa de negociação. Acompanhe atualizações em nosso portal e compartilhe esta notícia com quem acompanha geopolítica.



