Déficit do governo em 2025 somou R$ 61,7 bilhões, o equivalente a 0,48% do Produto Interno Bruto (PIB), de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (29) pelo Tesouro Nacional. Mesmo atendendo formalmente à meta fiscal, esse resultado posiciona o rombo como o oitavo maior desde o início da série histórica, em 1997.
O resultado primário negativo reflete o desempenho das contas do Governo Central – Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social – e indica a diferença entre despesas e receitas, antes do pagamento de juros da dívida pública.
Déficit do governo em 2025 é o oitavo pior da série histórica
Segundo o Tesouro, o governo Lula cumpriu a meta fixada para o ano de 2025 porque, após o abatimento de despesas e receitas classificadas como excepcionais, o déficit considerado para efeito de cumprimento ficou em R$ 13 bilhões, equivalente a 0,1% do PIB. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) permitia um resultado negativo de até R$ 14,9 bilhões.
Impacto das receitas e despesas extraordinárias
O distanciamento entre o déficit de R$ 61,7 bilhões e o valor enquadrado na meta fiscal se explica pelo tratamento dado a ingressos atípicos, como pagamentos de concessões, e ao ajuste de despesas não recorrentes. Ao excluir esses itens, o governo obtém margem para demonstrar cumprimento da meta mesmo diante de um desequilíbrio maior nas contas rotineiras.
Comparação histórica
Desde 1997, apenas sete anos registraram rombo superior ao observado em 2025. O levantamento considera os valores nominais de cada exercício e destaca a deterioração fiscal ocorrida, sobretudo, em momentos de crise econômica ou de despesas extraordinárias. O desempenho de 2025 repete o movimento de expansão dos gastos obrigatórios, com ênfase em previdência e benefícios sociais.
Composição das contas públicas
No ano, a arrecadação do Governo Central foi impactada por desonerações fiscais e pela desaceleração de algumas bases tributárias, enquanto as despesas avançaram acima da inflação, pressionadas por benefícios previdenciários e reajustes de pessoal. O Tesouro ressaltou que a reforma tributária aprovada no Congresso ainda não produziu efeitos significativos na receita de 2025.
Perspectivas para 2026
Para 2026, o governo mantém a meta de déficit zero, mas interlocutores da área econômica admitem que o cenário exigirá medidas adicionais de contenção de gastos e aumento de receitas. O Ministério da Fazenda trabalha em projetos para reequilibrar a conta de subsídios e revisar renúncias fiscais.
Imagem: Divulgação
Reação do mercado
Analistas interpretaram o dado como sinal de alerta. Embora a meta formal tenha sido cumprida, o volume real de déficit reforça preocupações com a trajetória da dívida pública. Parte dos economistas defende a revisão de despesas obrigatórias, enquanto outra ala prioriza o aumento da base tributária. O comportamento dos juros futuros, no entanto, foi moderado, diante da expectativa de novas medidas de ajuste em 2026.
Próximos passos
O Tesouro deverá detalhar, nas próximas semanas, o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas, documento que trará projeções atualizadas para o exercício em curso. A publicação servirá de base para eventuais contingenciamentos ou liberações de verbas.
Em resumo, o governo encerrou 2025 dentro da meta fiscal, mas o rombo real de R$ 61,7 bilhões coloca o ano entre os piores resultados da série histórica e reforça o desafio de equilibrar as contas públicas.
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