Enfermeiro morto em Minneapolis, Alex Pretti foi descrito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como “agitador” após a divulgação de um vídeo que mostra o profissional de saúde discutindo com agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) 11 dias antes de ser baleado.
Trump publicou a declaração em sua conta na plataforma Truth Social nesta quinta-feira (30), afirmando que a reputação de Pretti “caiu drasticamente” com as imagens recém-divulgadas e classificando o enfermeiro como “agitador e, talvez, insurgente”. O presidente elogiou a postura “calma” de um dos agentes envolvidos e encerrou o texto com o slogan “Make America Great Again”.
Enfermeiro morto em Minneapolis: Trump o chama de ‘agitador’
O vídeo, gravado em 13 de janeiro, registra o momento em que Pretti protesta contra a operação “Operation Metro Surge”, iniciada em dezembro de 2025 em Minneapolis. Nas imagens, o enfermeiro grita contra um veículo oficial, cospe no vidro traseiro e chuta a lanterna, que se quebra. Um agente deixa o carro, corre em direção a Pretti e o derruba no chão. Outros sete oficiais formam um cordão de isolamento e lançam bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.
Testemunhas relataram que, durante a confusão, um objeto semelhante a uma arma de fogo aparece preso à cintura de Pretti, mas não houve tentativa de saque. Ainda não está claro se os agentes notaram a arma naquele momento. O material divulgado por Trump mostra o incidente de outro ângulo e reforça a versão de que o enfermeiro teria iniciado o confronto.
Confronto antecedeu morte durante protesto
Alex Pretti foi morto em 24 de janeiro, quando agentes da Patrulha da Fronteira abriram fogo durante uma manifestação contra a mesma operação federal. Segundo relatos oficiais, os agentes jogaram o enfermeiro no chão, confiscaram a arma que estava em sua cintura e, em seguida, dispararam mais de dez vezes. A ação resultou em novos protestos, greves de professores e fechamento temporário de escolas em Minneapolis.
Familiares e amigos afirmam que Pretti trabalhava em uma clínica comunitária e saiu às ruas com o objetivo de proteger pacientes migrantes. Uma testemunha que acompanhou o enfermeiro no confronto de 13 de janeiro contou à agência Associated Press, sob anonimato, que ele parecia “profundamente preocupado” com os impactos da ofensiva de deportações sobre a população local.
Antecedentes da Operation Metro Surge
Lançada no final de dezembro de 2025, a operação do governo Trump intensificou ações de deportação em Minneapolis. A iniciativa ganhou notoriedade em 7 de janeiro, quando a cidadã norte-americana Renee Nicole Good foi morta por um agente do ICE após ser acusada de avançar com o carro contra ele — versão contestada por gravações de segurança. A morte desencadeou protestos massivos, críticas de autoridades estaduais e pedidos de retirada dos agentes federais da cidade.
Imagem: Divulgação
Diante da escalada de tensão, o “czar da fronteira” Tom Homan declarou que a Casa Branca avalia reduzir o efetivo do ICE em Minnesota. Além disso, o chefe da operação, Gregory Bovino, foi afastado nesta semana, segundo agências de notícias dos Estados Unidos.
Reação política e próximos passos
Em nota recente, Donald Trump afirmou que pretende “desescalar” a situação em Minneapolis, sem detalhar medidas concretas. Enquanto isso, o estado de Minnesota move ações judiciais contra o governo federal, buscando limitar a atuação do ICE. Organizações de direitos civis e sindicatos locais cobram investigações independentes sobre as mortes de Alex Pretti e Renee Nicole Good.
O caso do enfermeiro morto em Minneapolis continua a repercutir no debate sobre imigração, uso da força por agentes federais e responsabilidade do governo norte-americano em protestos civis.
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