Desastres naturais no Brasil provocaram perdas financeiras de US$ 5,4 bilhões em 2025, segundo o relatório Weather, Climate & Catastrophe Insight da Aon, multinacional britânica do setor de seguros e resseguros.
Embora o valor seja expressivo, representa menos da metade dos prejuízos registrados em 2024, quando enchentes no Rio Grande do Sul elevaram as perdas econômicas nacionais para mais de US$ 12 bilhões.
Desastres naturais no Brasil causam US$ 5,4 bi em perdas
No ano passado, tempestades severas, inundações e, principalmente, secas explicam o impacto financeiro calculado pela consultoria. O documento destaca que a estiagem afetou fortemente a produção agrícola e respondeu pela maior parcela do total apurado.
Secas devem ficar mais frequentes
Os autores do estudo alertam que pesquisas climáticas projetam aumento na frequência e na severidade das secas em regiões centrais do país e na bacia amazônica. A combinação de calor intenso, solo seco e ventos fortes deve ampliar também as condições para incêndios florestais.
“Compreender os riscos climáticos e adotar mecanismos de transferência de risco é crucial para minimizar danos e acelerar a recuperação pós-catástrofe”, afirmou, em nota, Beatriz Potassio, presidente de resseguros para o Brasil na Aon.
Baixa cobertura de seguros agrava o quadro
A baixa penetração de seguros segue como desafio. Dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) mostram que, no primeiro semestre de 2025, apenas 2,3% da área agrícola nacional estava coberta por apólices rurais — o menor índice desde 2006. O recorde, de 16,3%, foi alcançado em 2021.
O estudo lembra que, em 2024, os prejuízos cobertos por seguros somaram US$ 1,04 bilhão, marcando o episódio de enchentes no Sul como o mais caro da série histórica brasileira.
Cenário global: perdas de US$ 260 bilhões
Mundialmente, os desastres naturais geraram perdas econômicas de US$ 260 bilhões em 2025, o menor montante em uma década. Em 2024, o valor havia atingido US$ 368 bilhões. As perdas seguradas totalizaram US$ 127 bilhões no ano passado, permanecendo acima da marca de US$ 100 bilhões pelo sexto ano consecutivo.
Entre os eventos mais onerosos de 2025 estão os incêndios florestais na Califórnia, responsáveis por US$ 58 bilhões em perdas econômicas e US$ 41 bilhões em indenizações seguradas, além do terremoto em Mianmar — que impactou Tailândia, China e Vietnã — e o furacão Melissa, na Jamaica.
Imagem: Divulgação
Tempestades convectivas ganham protagonismo
O relatório da Aon revela ainda que as tempestades convectivas severas (SCS) ultrapassaram os ciclones tropicais como o risco segurado mais caro do século XXI. Em 2025, essas tempestades geraram US$ 61 bilhões em perdas seguradas globalmente, o terceiro maior valor já registrado.
Infraestrutura resiliente como estratégia
Especialistas citados pela Aon defendem investimentos em infraestrutura resiliente e maior conscientização de governos, empresas e sociedade para enfrentar o avanço dos eventos extremos. Medidas de adaptação incluem construção de obras hidráulicas, fortalecimento de redes elétricas e adoção de práticas agrícolas que reduzam a vulnerabilidade hídrica.
A consultoria ressalta que a crescente frequência de fenômenos climáticos severos deve pressionar o mercado de seguros, tornando essencial ampliar a cobertura e desenvolver produtos específicos para riscos climáticos.
No Brasil, a combinação de baixa cobertura, eventos cada vez mais frequentes e exposição de cadeias produtivas críticas — como a do agronegócio — reforça a necessidade de políticas públicas que incentivem a contratação de seguros e o investimento em prevenção.
Em 2025, mesmo com a redução relativa dos prejuízos, o impacto financeiro de US$ 5,4 bilhões confirma que o país segue vulnerável a extremos climáticos, cenário que tende a se agravar conforme as projeções de aquecimento global.
Para aprofundar sua compreensão sobre os desafios e oportunidades do setor, confira outras análises que publicamos em nossa editoria de Economia.
Em resumo, o levantamento da Aon mostra que as perdas provocadas por desastres naturais diminuíram em 2025, mas permanecem altas, em especial devido às secas. Investir em seguros e infraestrutura resiliente é fundamental para reduzir riscos futuros. Acompanhe nossas atualizações e mantenha-se informado sobre economia e finanças.



