Fluxo estrangeiro no Brasil é baixo, aponta CEO do Santander -

Fluxo estrangeiro no Brasil é baixo, aponta CEO do Santander

Fluxo estrangeiro no Brasil segue aquém do potencial, na avaliação de Mario Leão, CEO do Santander Brasil, que vê espaço para entrada de mais capital externo mesmo após a forte movimentação registrada no início de 2026.

O executivo apresentou a análise nesta quinta-feira, 4 de fevereiro de 2026, durante a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025 do banco. Segundo Leão, a realocação global de recursos favorece países com fundamentos sólidos, e o Brasil se encaixa nesse perfil.

Fluxo estrangeiro no Brasil é baixo, aponta CEO do Santander

“Acho que ainda é pouco, deve vir mais fluxo”, afirmou o dirigente ao comentar a participação de investidores internacionais na B3 e em outros ativos locais. Para ele, o fato de 2026 ser ano eleitoral não tem afetado as decisões de alocação, o que demonstra maturidade institucional. “Eleição não é um tema central e isso é positivo”, disse.

Leão também abordou a compra do banco norte-americano Webster, anunciada na véspera pelo Santander Espanha por US$ 12 bilhões. O movimento coloca o grupo espanhol entre os dez maiores do mercado financeiro dos Estados Unidos. Na visão do CEO, a aquisição é benéfica para todo o conglomerado e não cria competição interna. “Não há uma disputa para que o Brasil apresente resultado maior que México, EUA ou Espanha. É a soma de todos”, ressaltou.

O executivo destacou que a expansão norte-americana não reduzirá a relevância da operação brasileira. “Pelo contrário, a pressão sobre o Brasil só aumenta, porque precisamos gerar capital para financiar essa aquisição”, explicou. Ele lembrou que boa parte da evolução do índice de capital principal (CET 1) do grupo veio do país nos últimos anos. “De certa forma, o Brasil está financiando essa compra nos EUA.”

Questionado sobre a baixa alíquota efetiva de impostos no trimestre, Leão reconheceu que o resultado não é recorrente. O banco pretende elevar sobretudo o lucro antes dos impostos, considerado por ele um indicador mais fiel da saúde da operação. “Em 2026 queremos crescer proporcionalmente mais o lucro antes de impostos do que o lucro depois de impostos”, disse.

Segmento massivo ainda pressiona rentabilidade

Outro ponto abordado pelo CEO foi o desempenho do segmento massivo, que reúne clientes de menor renda. Essa carteira continua a ser “detratora de rentabilidade”, segundo o executivo. A expectativa é que leve de dois a três anos para atingir o retorno desejado pelo banco.

“Estamos no meio da jornada; ainda faltam alguns anos para chegarmos lá”, afirmou. A meta é alcançar rentabilidade próxima de 20% nesse público, algo que não deve ocorrer em 2026, mas “também não muito depois disso”, estimou.

Leão explicou que o ciclo de geração de valor nesse segmento é mais demorado porque o portfólio tem prazo médio maior. Ainda assim, ele considera 2026 um ano importante para avançar na recuperação da margem.

Perspectivas e cenário macro

Ao repetir que o fluxo estrangeiro no Brasil tende a crescer, Leão citou fundamentos como inflação controlada, trajetória cadente da taxa básica de juros e agenda de reformas em discussão no Congresso. Esses fatores, avaliou, aumentam a atratividade do mercado local diante da realocação de recursos internacionais.

Ele também vê como positivo o fato de o debate eleitoral não estar contaminando, até o momento, o humor dos investidores. A manutenção de uma agenda econômica “pró-mercado”, segundo o CEO, será crucial para que o país converta o interesse estrangeiro em investimentos de longo prazo.

Por enquanto, o banco seguirá reforçando a geração de capital no país para sustentar tanto suas próprias iniciativas quanto possíveis demandas do grupo no exterior. “A operação brasileira continuará sendo um dos principais motores de crescimento do Santander”, concluiu Mario Leão.

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O Santander confia na estabilidade institucional e nos fundamentos macroeconômicos para atrair mais recursos externos ao país. Se essa expectativa se confirmar, o mercado brasileiro poderá registrar um fluxo estrangeiro ainda mais robusto nos próximos trimestres. Continue acompanhando nossas publicações para não perder as próximas atualizações.

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