Mercados globais iniciaram a sexta-feira em tom de ajuste, buscando acomodação depois de indicadores norte-americanos mais fracos que o previsto reforçarem dúvidas sobre a força da economia dos Estados Unidos.
Investidores avaliam a pesquisa de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan e as expectativas de inflação, enquanto monitoram possíveis sinalizações sobre cortes de juros no discurso do vice-chair do Federal Reserve (Fed), Philip Jefferson. A leitura de seguro-desemprego divulgada ontem, com 231 mil solicitações contra a projeção de 212 mil, gerou aversão a risco e estimulou apostas em afrouxamento monetário ainda em 2026.
Mercados globais se estabilizam após dados fracos dos EUA
Às 8h (de Brasília), os futuros de Nova York mostravam recuperação: S&P 500 avançava 0,41%, Dow Jones subia 0,25% e Nasdaq ganhava 0,52%. No câmbio, o índice DXY recuava 0,13%, a 97,84 pontos, refletindo leve perda de força do dólar frente às principais moedas.
Futuros e moedas indicam busca por equilíbrio
No universo das criptomoedas, o bitcoin rondava a estabilidade em US$ 65.722, após tocar a mínima de US$ 60.008 durante a madrugada, movimento que ilustrou a correção dos ativos beneficiados pelo chamado “debasement trade” — estratégia que aposta contra o dólar. Entre as commodities, a taxa do Treasury de dez anos girava em 4,198%, ligeiramente acima dos 4,184% do fechamento anterior.
O cenário externo também é influenciado pelas tratativas entre Estados Unidos e Irã envolvendo um eventual acordo nuclear. Qualquer avanço ou retrocesso nas negociações pode alterar as projeções de oferta do petróleo e, por consequência, a precificação da matéria-prima nos mercados globais.
Temporada de balanços movimenta o mercado brasileiro
No Brasil, a temporada de resultados corporativos segue no radar. Os recibos de ações (ADRs) do Bradesco recuavam no pré-mercado em Nova York, mesmo com lucro ligeiramente acima do esperado no quarto trimestre de 2025. A leitura detalhada do balanço, que indicou pressões em margem financeira e provisões, sustenta a cautela dos investidores.
Além disso, o Ministério da Fazenda apresenta o Boletim Macrofiscal de 2025 e as projeções para 2026. O documento é apresentado por Guilherme Mello, indicado pelo ministro Fernando Haddad para compor a diretoria do Banco Central, e deve oferecer pistas sobre as premissas oficiais para inflação, crescimento e política fiscal.
Agenda do dia: dados e discursos em foco
As atenções se dividem na cena internacional entre a fala de Jefferson, prevista para o início da tarde, e a atualização do índice de confiança do consumidor norte-americano. No âmbito doméstico, analistas aguardam os desdobramentos da sabatina de Mello no Senado e eventuais efeitos sobre as curvas de juros.
Imagem: Michael Nagle
Especialistas do Barclays destacam que a surpresa negativa nos pedidos de auxílio-desemprego reabriu espaço para que parte do mercado volte a precificar dois cortes de 25 pontos-base pelo Fed até o fim do ano. Caso a indicação de fraqueza do mercado de trabalho se confirme nos próximos relatórios, o banco central poderá ajustar a trajetória de política monetária mais cedo do que projetado.
Movimento dos ativos em números
• Futuros do S&P 500: +0,41%
• Futuros do Dow Jones: +0,25%
• Futuros do Nasdaq: +0,52%
• Índice DXY: −0,13%, a 97,84 pontos
• Treasury de 10 anos: 4,198% ao ano
• Bitcoin: US$ 65.722, estável no dia
Com o mercado à espera de novos dados de atividade e inflação, a cautela predomina, mas sem a aversão acentuada observada na véspera. A postura do Fed, os desdobramentos geopolíticos e a sequência de balanços corporativos devem definir o tom dos mercados globais nas próximas sessões.
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Em resumo, os mercados globais buscam estabilidade após dados norte-americanos mais fracos, enquanto investidores aguardam novos sinais do Fed e resultados corporativos para calibrar expectativas. Continue conosco para receber atualizações em tempo real e entenda como esses movimentos podem afetar seus investimentos.



