Advogada argentina acusada de injúria racial afirma que sua vida corre risco desde que a investigação veio a público. Segundo ela, “querem me matar” por causa das acusações que a colocaram no centro de uma polêmica internacional.
No início da semana, a profissional, que atua há mais de duas décadas na cidade de Buenos Aires, foi formalmente denunciada pelo Ministério Público local pelo crime de injúria racial. O procedimento se baseia em vídeos gravados por testemunhas, nos quais a defensora teria dirigido ofensas de cunho racista a uma funcionária de um estabelecimento comercial.
Advogada argentina acusada de injúria racial afirma sofrer ameaças
Em entrevista concedida a veículos de imprensa argentinos, a ré relatou que passou a receber telefonemas anônimos e mensagens em redes sociais com ameaças diretas de morte. “Tenho medo de sair de casa. Eles querem me matar”, declarou. A advogada afirma ter registrado boletim de ocorrência para pedir proteção policial.
A Justiça argentina ainda analisa se o caso será levado a júri oral. A legislação penal do país prevê pena de até três anos de reclusão para quem comete injúria motivada por discriminação racial, religiosa ou de origem. Caso condenada, a defensora poderá cumprir a pena em regime fechado ou substituí-la por medidas alternativas, a depender da decisão judicial.
Possíveis desdobramentos legais
O Ministério Público informou que reuniu depoimentos de clientes e de funcionários do comércio onde a agressão teria ocorrido. A suposta vítima, identificada apenas pelas iniciais M.R. para preservar sua integridade, confirmou as ofensas e anexou laudos psicológicos que apontam abalo emocional. Os promotores requisitaram, ainda, que a Ordem dos Advogados avalie a abertura de um processo disciplinar contra a ré.
Já a defesa sustenta que as imagens foram “editadas” e que não há prova suficiente de discriminação. Segundo os advogados da acusada, a discussão teria começado por causa de uma divergência comercial e não por questões raciais. Eles pedem o arquivamento do inquérito e insistem que a ré vem sendo julgada “pela opinião pública” antes mesmo de qualquer sentença.
Segurança pessoal e impacto profissional
Enquanto aguarda a conclusão do processo, a profissional diz ter suspendido temporariamente suas atividades no escritório onde atua. Ela afirma que clientes cancelaram contratos e que colegas passaram a evitá-la. “Perdi renda, perdi credibilidade. Agora, temo perder a vida”, declarou.
A polícia de Buenos Aires confirmou que avalia a possibilidade de oferecer escolta, mas ressaltou que o protocolo exige análise de risco detalhada. Organizações de direitos humanos, por outro lado, solicitam que o Estado garanta segurança não apenas para a acusada, mas também para a vítima e para as testemunhas.
Imagem: Hugo Marques
O caso, que ainda não tem data para julgamento, reacende o debate sobre racismo na sociedade argentina e pressiona o sistema judiciário a agir com celeridade. A próxima audiência está prevista para ocorrer nas próximas semanas, quando o juiz responsável deverá decidir se aceita a acusação formal e marca o início do processo.
Em meio à repercussão, especialistas lembram que ofensas discriminatórias podem gerar não apenas consequências criminais, mas também processos cíveis por danos morais. A suposta vítima já sinalizou que pretende ingressar com ação indenizatória.
O desenrolar do caso será acompanhado de perto pelas entidades de classe e pela opinião pública, que cobram punição exemplar em episódios de discriminação. Até lá, a advogada afirma que permanecerá reclusa por medo de novas ameaças.
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Resumo: a advogada argentina investigada por injúria racial diz temer pela própria vida após receber ameaças. O processo segue em análise, e a sociedade aguarda o posicionamento definitivo da Justiça. Continue conosco para mais atualizações.



