Banco Master foi alvo de sanções da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por prática de manipulação de preços de ativos na B3, resultando em pagamento de R$ 2,2 milhões em termo de compromisso. A autarquia identificou ordens concentradas de compra que inflaram artificialmente as cotações de fundos imobiliários entre 2018 e 2019, envolvendo diálogos gravados entre executivos do banco e corretores.
As conversas, enviadas à CVM pela BSM Supervisão de Mercados, revelam que o então diretor Angelo Antonio Ribeiro da Silva orientava operadores a adquirir cotas do FII CARE11 de forma cadenciada para sustentar os preços no fechamento de mês. Em 24 de setembro de 2018, um corretor identificado como J.C. questionou: “Tamos na semana lá dos fundos, né? Então, o CARE eu posso ir lá comprando?”. Silva respondeu: “Pode, mas vai devagarzinho”.
Banco Master é multado por manipulação de preços na CVM
Dois dias depois, outro operador, A.L., perguntou se deveria “continuar comprando pra não derrubar a ação”, recebendo a orientação: “É, pra não cair. Dá uma protegida no papel”. Em 27 de setembro, o plano era elevar o valor da cota a R$ 1,90, mas Silva afirmou que “é importante chegar pelo menos nuns R$ 2,00”.
Como ocorreu a elevação artificial do CARE11
Entre setembro de 2018 e dezembro de 2019 foram identificados 455 negócios, concentrados nos últimos cinco pregões de cada mês, que impulsionaram a valorização do CARE11. Houve ocasiões em que o Master respondeu por até 87 % do volume negociado, cenário típico de baixa liquidez que facilita a influência direta na formação de preço.
O relatório da BSM sustenta que o aumento das cotações gerou ganhos contábeis para o Banco Master, pois melhorava o resultado mensal apresentado aos acionistas e ao mercado. Além disso, investidores externos teriam negociado o fundo acreditando em uma tendência genuína de alta.
Defesa e acordo financeiro
Em resposta, o banco negou ter buscado manipulação e afirmou que as compras se baseavam em expectativa legítima de valorização. Mesmo assim, fechou acordo prevendo o pagamento de R$ 2,2 milhões, enquanto Silva desembolsou R$ 736 mil.
Segundo processo: BZLI11 e laudo sobreavaliado
Outra investigação da CVM, ainda em curso, trata de 55 operações realizadas entre 26 e 30 de junho de 2018 com cotas do Brazil Realty FII (BZLI11). A apuração aponta ordens de Angelo Silva e laudo fraudado que superavaliou em R$ 56 milhões um terreno do fundo: o imóvel deveria valer R$ 90,32 milhões, mas foi registrado a R$ 146,586 milhões. Pelo documento sem assinatura, o Master pagou R$ 3 mil.
Imagem: Divulgação
Segundo o processo, o Banco Máxima — denominação anterior da instituição — obteve resultado líquido médio de R$ 1,07 por cota, totalizando lucro estimado de R$ 10,8 milhões na revenda no mercado secundário. Figuram no caso o proprietário do Master, Daniel Vorcaro, a Entre Investimentos e Participações, seu diretor Antonio Carlos Freixo Júnior, além da Viking Participações.
Andamento e valores exigidos
Esse segundo dossiê ficou sem decisão até dezembro de 2025, depois que o banco foi colocado em liquidação extrajudicial. Quando retomou o exame, o colegiado da CVM rejeitou proposta de termo de compromisso que previa R$ 21,2 milhões em multas, mantendo a análise aberta. A Entre e Freixo, em nota, afirmam não ter cometido irregularidades.
A atual situação do Banco Master reforça o foco regulatório em práticas que possam distorcer preços e afetar a confiança de investidores, sobretudo em ativos de baixa liquidez. A CVM segue acompanhando o processo remanescente e poderá impor novas penalidades caso confirme a manipulação.
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Em resumo, o caso mostra como o uso concentrado de ordens de compra pode alterar artificialmente cotações e render ganhos contábeis, resultando em multas milionárias e processos prolongados. Continue acompanhando nossas publicações para ficar por dentro de atualizações e análises do setor financeiro.



