Carne Wagyu impulsiona produção premium no Brasil. A procura mundial por proteínas de alto valor agregado fez o número de animais Wagyu abatidos no país subir 30 % em 2025, alcançando 2.272 cabeças, de acordo com o Programa Carne Wagyu Certificada.
Conhecida pelo marmoreio elevado e pela maciez singular, a raça japonesa se fortalece como aposta de pecuaristas brasileiros que buscam maior rentabilidade e acesso a nichos de carne nobre, mesmo com gargalos de padronização genética e de manejo.
Carne Wagyu impulsiona produção premium no Brasil
Segundo Daniel Steinbruch, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Wagyu (ABCBRW) e da processadora Guidara, o avanço poderia ser ainda superior, não fosse a ausência histórica de protocolos unificados para reprodução, alimentação e rastreabilidade. O dirigente destaca que o programa de certificação foi criado justamente para reduzir essas diferenças e atrair novos produtores.
Demanda global sustenta crescimento
Relatório da consultoria Mordor Intelligence mostra que o mercado mundial de carne Wagyu movimentou US$ 13,9 bilhões em 2025. A projeção é chegar a US$ 20,92 bilhões até 2030, com taxa anual composta de 8,54 %, sinalizando forte demanda em um cenário de oferta limitada.
No Brasil, o preço reflete esse desequilíbrio: o quilo da picanha Wagyu ultrapassa R$ 2.300. Esse valor alto estimula investimentos em tecnologia e cruzamentos dirigidos, embora o processo exija controle rigoroso para manter a autenticidade da marca.
Programa de certificação amplia base de produtores
Para garantir padrão e confiabilidade, o Programa Carne Wagyu Certificada estabelece requisitos claros. Tatiana Caruso, veterinária responsável, explica que a prioridade de cruzamento é com Angus, mas o projeto também utiliza matrizes leiteiras holandesas e jersey, adequando critérios ao clima tropical.
Os frigoríficos parceiros oferecem bonificações que podem chegar a 100 % sobre o valor da arroba em animais terminados com alto nível de marmoreio. Nos recriados, a premiação atinge até 25 % quando o peso mínimo é de 300 quilos e o dente de leite está preservado.
Redução de oferta externa favorece pecuaristas locais
Estados Unidos e Austrália, tradicionais exportadores de proteína premium, atravessam fase de rebanho enxuto, abates menores e custos ascendentes. Para Steinbruch, essa conjuntura coloca o Brasil em posição estratégica, sobretudo nos segmentos de corte superespecializado.
Em 2026, a Guidara já adquiriu 500 animais resultantes do programa e reservou outros 1.000 para fase de recria, movimento que confirma a confiança da indústria na expansão da raça Wagyu em território nacional.
Qualidade reconhecida e benefícios à saúde
Além do sabor diferenciado, pesquisa da Fortune Business aponta que a carne Wagyu é rica em ácido linoleico conjugado (CLA), associado a efeitos benéficos para o coração. O alto teor de gordura intramuscular dispensa longos períodos de maturação, mantendo maciez natural e cortes mais suculentos.
Imagem: Guidara
Para acessar mercados externos, porém, os produtores precisam garantir volume constante. “Falamos em encher contêineres com um ou dois cortes específicos durante todo o ano”, observa Tatiana Caruso, reforçando a importância da regularidade.
Enquanto a oferta doméstica cresce gradualmente, a certificação busca alinhar pequenas, médias e grandes fazendas a padrões consolidados na Austrália e no Japão, mas adaptados às pastagens, clima e infraestrutura locais.
Perspectivas para 2030
Com projeção global de quase US$ 21 bilhões em cinco anos, a carne Wagyu tende a permanecer no centro das estratégias de diversificação da pecuária brasileira. A combinação de bonificações atrativas, demanda internacional firme e escassez de concorrentes consolida o país como fornecedor emergente de proteína premium.
Ao mesmo tempo, especialistas alertam que a padronização genética, a rastreabilidade total e o controle sanitário serão decisivos para sustentar o ritmo de expansão e conquistar fatias maiores no mercado externo.
Para produtores interessados, o Programa Carne Wagyu Certificada oferece manuais técnicos, assistência veterinária e integração direta com frigoríficos, garantindo previsibilidade de compra e pagamento diferenciado.
Com esses incentivos e o cenário favorável, a expectativa da ABCBRW é de que os abates de Wagyu no Brasil continuem avançando nos próximos anos, reforçando a posição do país na cadeia global de carnes de alto valor.
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Em síntese, o salto de 30 % nos abates em 2025 reforça o potencial da carne Wagyu para elevar a rentabilidade da pecuária nacional. Acompanhe nossas atualizações e saiba como participar desse mercado em expansão.



