Algodão do Brasil quer ser destaque da indústria têxtil -

Algodão do Brasil quer ser destaque da indústria têxtil

Algodão do Brasil quer ser destaque da indústria têxtil. A fibra brasileira, líder nas exportações globais, é usada majoritariamente fora do país, mas entidades do setor defendem que ela seja cada vez mais absorvida pela cadeia produtiva nacional.

Atualmente, o mercado interno consome cerca de 700 mil toneladas por ano, enquanto mais da metade da produção segue para o exterior. A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) estabeleceu a meta de elevar esse volume para 1 milhão de toneladas até 2030, enfrentando a concorrência das fibras sintéticas importadas, que chegam ao Brasil com preços mais baixos.

Algodão do Brasil quer ser destaque da indústria têxtil

Dados recentes mostram que, em 2025, as exportações de produtos têxteis brasileiros cresceram 8%, totalizando US$ 908 milhões. Ainda assim, a matéria-prima utilizada pela indústria local continua, em grande parte, importada. Em 2025, as compras externas do setor somaram US$ 6,6 bilhões, gerando um déficit comercial de US$ 5,7 bilhões para a cadeia de vestuário.

Produção e emprego em ritmo moderado

O setor têxtil e de confecção reúne mais de 25 mil empresas, responsáveis por 1,31 milhão de empregos e cerca de R$ 39,1 bilhões em remuneração anual. Entre janeiro e novembro de 2025, foram abertas 9,4 mil vagas na indústria têxtil e 12,4 mil na confecção. No período, a produção têxtil avançou 6,8%, enquanto o segmento de vestuário subiu apenas 0,7%. Para 2026, a Abrapa projeta expansão modesta de 1,1%.

Competitividade e desafios internacionais

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) aponta que a recuperação do crédito, a queda dos juros e o controle da inflação são fatores essenciais para uma retomada mais robusta. O diretor-superintendente da Abit, Fernando Valente Pimentel, avalia que o ritmo de crescimento em 2026 já é menor que no início de 2025, pressionado pela elevada concorrência externa, sobretudo da China.

No cenário global, a Abit estima que o mercado de vestuário alcance US$ 2,3 trilhões até 2030, com expansão média anual de 4%. Para disputar esse mercado, a indústria brasileira aposta na qualidade do algodão nacional, destacada por Marcio Portocarrero, diretor-executivo da Abrapa, como diferencial competitivo. Segundo ele, o país fornece fibra de alto padrão, com avanços em sustentabilidade nos últimos seis anos.

Liderança nas exportações permanece

A Abrapa projeta exportar 3,2 milhões de toneladas de algodão na safra 2025/26, incremento de 13% sobre o ciclo anterior. Na última temporada, o Brasil embarcou 2,8 milhões de toneladas e consolidou-se como maior exportador mundial, tendo a China como principal destino, responsável por 32% das compras.

Para o ciclo 2025/26, a área plantada deve recuar 5,5%, para 2,05 milhões de hectares, acompanhando a menor demanda global. Mesmo assim, Portocarrero afirma que estoques, condições climáticas favoráveis e rentabilidade sustentam alta produtividade, preservando a liderança brasileira diante de Estados Unidos, Índia e China.

Em projeção divulgada em janeiro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) manteve o Brasil na primeira posição entre os exportadores, com estimativa de 3,157 milhões de toneladas embarcadas, alta de 11,3%. A produção interna pode chegar a 4,082 milhões de toneladas, avanço de 10,3%, consolidando o país como terceiro maior produtor global na safra 2025/26.

Barreiras internas: custo e sintéticos

Apesar da performance internacional, o principal obstáculo para ampliar o uso de algodão do Brasil dentro do país continua sendo o preço mais competitivo das fibras sintéticas importadas. De acordo com Portocarrero, mesmo com os impactos ambientais e à saúde associados aos sintéticos, a demanda por esses materiais permanece elevada. A estratégia, portanto, envolve agregar valor à pluma nacional, intensificar ações de marketing e investir em tecnologia para reduzir custos de produção e logística.

Entidades do setor defendem políticas de incentivo, crédito facilitado e medidas de defesa comercial para equilibrar a competição. A expectativa é que, com juros menores e inflação sob controle, a indústria consiga investir em modernização, aumentar a compra de algodão local e contribuir para a geração de empregos e renda no país.

Se as metas forem alcançadas, o algodão do Brasil não apenas manterá a liderança nas exportações, mas também ganhará protagonismo na fabricação doméstica de fios, tecidos e roupas, reduzindo o déficit da balança comercial têxtil.

Para acompanhar mais análises e indicadores que influenciam o setor, visite nossa seção de economia e fique por dentro das últimas movimentações do mercado.

Em resumo, o algodão do Brasil tem qualidade reconhecida e capacidade produtiva para abastecer tanto o exterior quanto a indústria nacional. Atingir 1 milhão de toneladas de consumo interno até 2030 depende de avanços na competitividade, redução de custos e estímulos ao investimento. Acompanhe nossas publicações e saiba como essas mudanças podem impactar toda a cadeia têxtil.

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