Rebaixamento da Acadêmicos de Niterói gera festa da oposição -

Rebaixamento da Acadêmicos de Niterói gera festa da oposição

Rebaixamento da Acadêmicos de Niterói para a Série Ouro do Carnaval do Rio de Janeiro em 2026 motivou intensa comemoração de parlamentares e partidos que fazem oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), homenageado no enredo da escola.

A agremiação terminou na 12ª e última colocação do Grupo Especial após o desfile realizado no domingo, 15 de fevereiro, na Marquês de Sapucaí, cuja proposta foi “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. Políticos como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) relacionaram diretamente o resultado à rejeição ao petista.

Rebaixamento da Acadêmicos de Niterói gera festa da oposição

“Dos projetos de Deus não se zomba! Depois dessa escola, o próximo rebaixamento vai ser do Lula e do PT”, escreveu Flávio Bolsonaro na rede X logo após a apuração, na quarta-feira, 18. Nikolas Ferreira ironizou que “a escola foi rebaixada demonstrando como o Lula está afundando o Brasil”. O Partido Liberal publicou que “o Brasil já deu seu recado: Lula rebaixado!”.

Críticas ao enredo e acusações de propaganda antecipada

Antes mesmo do desfile, legendas de oposição moveram ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) alegando propaganda eleitoral antecipada. Após o resultado, o senador Bruno Bonetti (PL-RJ) avaliou que a escolha do tema foi decisiva para a queda: “Fica a lição de que o enredo é fundamental para o triunfo de qualquer agremiação”.

Eduardo Ribeiro, presidente do Novo, afirmou que consequências jurídicas ainda podem surgir: “As políticas já vieram; agora aguardamos as jurídicas”. O Novo, o PL e parlamentares ligados aos dois partidos anunciaram novas representações na Justiça Eleitoral contra Lula e contra o presidente da Acadêmicos, Wallace Alves Palhares.

Recursos públicos no foco do debate

A Acadêmicos de Niterói recebeu R$ 1 milhão de patrocínio da Embratur e do Ministério da Cultura, R$ 4 milhões da prefeitura de Niterói e R$ 2,15 milhões da prefeitura do Rio, valores equivalentes aos repasses feitos às demais escolas do Grupo Especial. Para oposicionistas, porém, o uso de verbas públicas em um desfile considerado “propaganda política” reforça suposto abuso de poder econômico.

Em nota, a agremiação nega irregularidades e alega “perseguição política”, sustentando que o desfile “foi coerente com a identidade” da escola. O PT declarou que não participou do financiamento do enredo, classificando a apresentação como manifestação artística protegida pela Constituição.

Decisão do TSE manteve desfile

Na véspera da folia, a ministra Estela Aranha, relatora no TSE, rejeitou pedido para impedir a passagem na Sapucaí, citando risco de censura prévia. A presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, alertou que eventual abuso poderia ser analisado posteriormente, mas reforçou a impossibilidade de proibir ato cultural antes de sua realização.

Bonecos e alegorias satirizam Bolsonaro

No desfile, bonecos representaram o impeachment de Dilma Rousseff e retrataram o ex-presidente Jair Bolsonaro como um palhaço de terno azul. Em uma alegoria posterior, o personagem aparecia com roupa de presidiário e tornozeleira eletrônica, cenas que ampliaram o atrito com parlamentares conservadores. Uma ala intitulada “Neoconservadores em conserva” mostrou famílias dentro de latas, algumas com símbolos religiosos, motivando denúncia de preconceito religioso anunciada por Nikolas Ferreira ao Ministério Público do Rio.

Viradouro campeã; Lula assistiu do camarote

Enquanto a Acadêmicos de Niterói amargava o rebaixamento, a Unidos do Viradouro conquistou seu quarto título do Carnaval carioca. Lula, homenageado central do enredo niteroiense, não desfilou; acompanhou a apresentação de um camarote na Sapucaí.

O episódio transformou-se em munição eleitoral a oito meses do pleito presidencial. Governadores cotados para a disputa, como Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Romeu Zema (Novo-MG), também ironizaram o resultado e previram derrota de Lula nas urnas em outubro.

Por ora, a Acadêmicos de Niterói planeja avaliar internamente os quesitos que levaram à última colocação e promete disputar o retorno ao Grupo Especial em 2027, enquanto opositores articulam ações judiciais que podem estender o impacto político do desfile.

Para acompanhar outras análises sobre gestão de recursos públicos e seus impactos, visite a seção de Economia do Diário de Finanças.

O rebaixamento da Acadêmicos de Niterói dominou o debate político pós-Carnaval e reforçou a divisão entre governo e oposição. Continue acompanhando nossas atualizações e receba notícias de economia, política e finanças em primeira mão.

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